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iPhil

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Aqui tão perto...

16.01.15
Aqui tão perto...

 

Na sequência dos acontecimentos em França e o ataque ao Charile Hebdo, havia a expectativa em relação a potenciais réplicas... hoje, recebemos notícias da Bélgica...

 

E tudo isto, acontece aqui bem ao lado. É verdade que tivemos atentados em Londres e Madrid. Mesmo assim, parece-me que tudo isto ocorre aqui bem perto e se agora acontece (ou estava para acontecer) na Bélgica e segundo alguns rumores, em nome do Estado Islâmico, mais preocupante ainda.

 

E por falar em Estado Islâmico, chegou um link de um artigo que merece uma nova reflexão, sobre uma frase que tenho ouvido com alguma frequência: "Not all Muslims are terrorists, but all terrorists are Muslims."

 

Certo, podemos aceitar... mas eu acrescento, seguindo o espírito do artigo... será mesmo que todo o tipo de terrorismo tem origem muçulmana? O artigo lista alguns exemplos, que ajudam a comprovar que os terroristas muçulmanos são uma pequena percentagem, quando olhamos globalmente para o fenómeno (e sou da geração que via, sem compreender, por ser tão miúdo, as notícias dos ataques da ETA em Espanha e do IRA na Irlanda). No entanto, a imprensa, especialmente a norte-americana, só desperta para os exemplos muçulmanos, porque são esses casos que alimentam e capitalizam esses meios de comunicação social.

 

E por estes dias, não me esqueço da imagem de Zarine Khan a apelar ao ISIS para "deixar os jovens em paz" e que o seu filho só se juntou ao ISIS, pela capacidade de "recrutar" jovens através da web e dos redes sociais.

 

 

Tal como Dean Obeidallah, o autor do artigo, também eu, acredito perfeitamente que um ataque do mesmo género, realizado por um europeu, não teria qualquer impacto nos media... sejam eles americanos ou não (o mal é global).

 

Nos últimos anos, a Europa cometeu alguns erros. hoje, era necessário uma Europa verdadeiramente únida e a uma única voz. Infelizmente, não é isso que verificamos. Bem pelo contrário, o que me deixa muito apreensivo em relação ao futuro.

Depois dos Prós e Contras #PL118 / #PL246

16.09.14
Depois dos Prós e Contras #PL118 / #PL246

 

Obviamente, depois de concluído o Prós e Contras de hoje, é impossível não publicar um post de reacção ao programa, com as principais notas que ficam do debate sobre a revisão da Lei da Cópia Privada.


Como seria de esperar, foi um debate intenso e com acusações injustas. Mas vamos directamente às notas principais, que destaco do debate:

 

- Os "autores" e os representantes das entidades dos autores continuam sem compreender o problema fundamental.

 

- Fica mesmo a ideia que os "autores" não concordam com a existência da Lei da Cópia Privada. Como existe um normativo europeu, então que se cobre de forma transversal e sem distinção.

 

- Para ter a aprovação popular, os "autores" apontam baterias para o retalho e para os representantes da indústria tecnológica, neste caso, na pessoa de José Valverde, representante da AGEFE e que esteve presente no debate. Os "autores" alegam que deviam ser essas entidades a assumir o custo das novas taxas.

 

- Os "autores" não estão dispostos a cobrar na aquisição, mas sim na utilização do "conteúdo". Bem conveniente esta separação... porque é possível contabilizar as vezes que compramos uma música...mas ninguém consegue contabilizar quantas cópias ou leituras fazemos (até nisto os autores são limitados, porque é possível contabilizar esse número, nos serviços de streaming). Resolve-se a questão cobrando nos equipamentos. O João David Nunes foi claro numa resposta: "O autor não é remunerado na compra." Se calhar respondeu ao problema.

 

- O debate, mais uma vez, centrou-se na música, quando temos outros meios envolvidos (livros, filmes, etc). É verdade que estão representados pelas entidades presentes no debate, mas individualmente só vi músicos e um ou outro escritor. Curiosidade ou não... o autor mais novo que esteve presente, foi o Miguel Ângelo e isso explica muito do que se passa neste mundo da intermediação autoral. Onde estão os autores da geração Kindle e Spotify?

 

- Também ficou clara, a ideia que a representação individual e livre incomoda muita gente, fosse com a presença no programa ou através das redes sociais e blogs. 

 

- Foi interessante ver a "esquerda caviar" (adoro esta expressão) a defender com unhas e dentes, um novo imposto. A mesma "esquerda caviar" também se incomoda muito com a representação individual e livre. Parece que Abril para essa gente, só serviu de inspiração criativa. Hoje, não existem.

 

- Faltou bom senso aos "Prós". Especialmente a David Ferreira. Qual Octávio Machado, levantou a questão do Cartel. Eu diria que o Cartel está na intermediação que é feita pelas SPAs desta vida. Infelizmente não vi essa questão ser debatida. Ou seja, não estaria na altura de rever a posição e as percentagens que são recebidas e geridas por estas entidades? Se calhar está na altura dessas entidades abdicarem da sua parte ou não? Claro que os autores ficariam com esses montantes.

 

- Se calhar, o projecto de revisão da Lei dos Direitos de Autor terá esse objectivo e por isso, a SPA e a Secretária de Estado da Cultura já não estão em sintonia, como no caso da Lei da Cópia Privada.

 

 

Em jeito de conclusão, eu diria que as perspectivas não são boas e resta à Assembleia da República tomar a decisão correcta e para isso, ainda temos uma petição a decorrer e que já ultrapassou as 1.200 assinaturas. Se este debate provou é que é preciso travar este projecto de Lei. Mas como foi sugerido pelo Rui Lourenço durante o debate, também é preciso repensar a questão, para que os autores recebam o que lhes é devido. Ninguém tem dúvidas sobre isso.

 

Por isso, é ler, assinar (se concordarem) e divulgar. Divulgar o mais possível.

 

Não esquecer que é necessário confirmar a assinatura, através do mail que é enviado pela plataforma de petições.

 

 

Uma última nota de agradecimento à Maria João Nogueira, ao Rui Lourenço, ao Rui Seabra e ao José Valverde, pela representação que fizeram de todos aqueles que não são autores e serão afectados pela alteração desta lei. Será que isto esclarece a questão a representatividade? Ou o 25 de Abril não chegou?

 

Petição contra a Lei da Cópia Privada #PL118 / #PL246

15.09.14
Petição contra a Lei da Cópia Privada #PL118 / #PL246

 

Em noite de Prós e Contras dedicado à revisão da Lei da Cópia Privada, é dia para destacar a criação de uma nova petição.


A votação deste novo projecto de lei ocorrerá no próximo dia 17 de Setembro, na Assembleia da República e hoje, dia 15 de Setembro, o programa Prós e Contras será dedicado ao tema do momento.

 

O tempo é escasso, mas nunca é tarde para agir. Por isso e mais uma vez vos peço para assinar a Petição para Impedir a aprovação da proposta de lei n° 246/XII, da Cópia Privada.

 

É ler, assinar (se concordarem) e divulgar. Divulgar o mais possível, porque o tempo, escasseia.

 

Não esquecer que é necessário confirmar a assinatura, através do mail que é enviado pela plataforma de petições.

 

Em Março de 2012, o Projecto de Lei original foi cancelado pelo PS e na altura, a petição que foi criada na altura, conseguiu mais de 8.500 assinaturas e foi fundamental na pressão exercida sobre os partidos com representação na Assembleia da República.

A Matemática do Copyright #PL118 #PL246

13.09.14
A Matemática do Copyright #PL118 #PL246

 

Na tranquilidade do mês de Agosto, o Governo português tomou a iniciativa de aprovar em Conselho de Ministros, a revisão da Lei da Cópia Privada. Esta nova revisão seria uma evolução do projecto de lei nº. 118, sendo agora conhecido como projecto de lei nº. 246.


A votação deste novo projecto de lei ocorrerá no próximo dia 17 de Setembro, na Assembleia da República, sendo que, o próximo Prós e Contras será dedicado a este tema, que tanta polémica tem gerado, especialmente na web e nas redes sociais.

 

O que me fez escrever finalmente sobre este tema (porque até aqui, outros bloggers o têm feito de forma brilhante, como é o caso da Jonas), foi o mais recente comunicado da AGEFE - Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico, Electrónico, que resume e bem, o sentimento geral de quem está contra este revisão da Lei da Cópia Privada e cuja transcrição eu aqui deixo:

 

 

ALGUMAS COISAS QUE TALVEZ NÃO SAIBA SOBRE A LEI DA CÓPIA PRIVADA

 

A AGEFE - Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico, Electrónico, vem informar os decisores políticos e a opinião pública portuguesa, sobre as consequências que terá uma eventual aprovação da alteração à Lei da Cópia Privada, proposta pelo Governo, por iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura, e que a Assembleia da República vai votar na próxima quarta-feira, dia 17 de Setembro.

 

- A aprovação desta lei vai sobrecarregar a economia e os contribuintes com um imposto encapotado, a pretexto da compensação por um alegado prejuízo aos detentores de direitos, que até à data ninguém foi capaz de demonstrar.

 

- Um consumidor que compre um telemóvel, e que não tenha ou nunca venha a ter, cópias de músicas ou de outros conteúdos protegidos por direito de autor no seu aparelho, terá de pagar até mais 18,45€ (taxa máxima IVA a 23%) pelo mesmo equipamento. Da mesma forma, quem comprar música em formato electrónico para o seu telemóvel ou subscreva um serviço de streaming, irá pagar direitos de autor em duplicado, ou mesmo em triplicado se utilizar adicionalmente um cartão de memória, que também será taxado.

 

- Qualquer contrato de televisão por subscrição que inclua uma set-top box passa a implicar o pagamento de uma taxa, a título de direitos de autor, apesar de estes direitos já terem sido contemplados  no serviço contratado. Mais uma vez, os consumidores vão ser duplamente taxados.

 

- Também as empresas e o próprio Estado vão ver os seus custos aumentados nas aquisições de produtos tecnológicos, tais como computadores, tablets, telemóveis ou impressores, havendo múltipla taxação para o mesmo fim, sem que haja a mínima evidência de que vá ser reproduzida qualquer obra protegida.

 

- Tal como aponta o jurista António Vitorino no Relatório que apresentou à Comissão Europeia em 2013, a pedido desta, as cópias feitas pelos consumidores para uso privado no contexto dos serviços online licenciados pelos detentores dos direitos não causam qualquer prejuízo aos autores, pelo que não justificam qualquer remuneração adicional sob a forma de taxas aplicadas aos equipamentos. O Senhor Secretário de Estado da Cultura comprometeu-se a apresentar uma proposta de alteração legislativa à luz das recomendações feitas neste documento, o que não aconteceu, bem pelo contrário.

 

É ainda de lamentar a falta de oportunidade desta Lei. De facto,

 

- É incompreensível que o Senhor Secretário de Estado da Cultura tenha ignorado totalmente as conclusões do Relatório de António Vitorino, bem como o compromisso do recém-eleito Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, de modernizar nos seus primeiros seis meses de mandato, o quadro legislativo europeu sobre esta matéria, pelo que o momento escolhido para alterar a Lei em Portugal não podia ser mais desadequado.

 

- Carece de sentido que Portugal venha a adoptar uma Lei que replica a legislação que foi revogada em Espanha há quase dois anos por ter sido considerada desadequada face à realidade actual.

 

- Aquando a recente aprovação pelo Parlamento do Reino Unido, da reforma da Lei da Propriedade Intelectual, que introduziu o direito à cópia privada sem estabelecer qualquer taxa, a responsável governamental pela medida, Lucy Neville-Rolfe, declarou: "O governo não acredita que os consumidores britânicos tolerassem taxas pela cópia privada. São ineficientes, burocráticas e injustas, bem como penalizadoras dos cidadãos que já pagam pelos conteúdos."

 

- A alteração legislativa agora proposta não só não resolve um problema, como vai criar outros, a começar pelos efeitos extremamente negativos na economia. Vai aumentar o custo do acesso a produtos tecnológicos e travar o desenvolvimento da economia digital em Portugal, sem qualquer garantia de que o dinheiro resultante das taxas realmente chegue àqueles a quem alegadamente se destinaria e não se perde nas várias entidades encarregues de fazer a gestão e distribuição destas verbas.

 

Perante todos estes factos, a AGEFE apela às Senhoras e aos Senhores Deputados da Assembleia da República para que não aprovem a proposta de alteração da Lei da Cópia Privada, que ultrapassa em muito o âmbito dos políticas públicas para a área da Cultura, com evidente destruição de valor económico.

 

A adopção desta nova Lei da Cópia Privada, que é desadequada e injusta, seria mais um contributo para a perda de competividade das empresas portuguesas e para o incremento das compras ao exterior sem qualquer valor acrescentado nacional, bem como para a redução de receitas, directas e indirectas, do próprio Estado, colocando em risco empregos em Portugal.

 

 

A Direcção da AGEFE

 

Lisboa, 13 de Setembro de 2014

 

 

É impossível não me rever neste posição da AGEFE. Mas esta revisão da Lei da Cópia Privada tem mais problemas e questões que merecem ser discutidas e revistas.

 

Apesar da Lei da Cópia Privada nada ter a ver com a pirataria, os seus defensores insistem em misturar os temas. E porquê? Porque cheira a pirataria em toda a proposta, em virtudade da incompetência de quem tinha a obrigação de tomar medidas sobre esse tema. Qual é a solução mais simples? A mais óbvia. Agarrar numa lei existente, sobretaxá-la e com a chamada "Matemática do Copyright", garantir mais alguns milhões para as entidades que alegadamente representam os autores e artistas, quando o problema passa pelo facto, destas entidades não conseguirem garantir com eficácia, o seu papel, uma vez que os autores e artistas são os primeiros a queixar-se sobre os valores e montantes que não recebem ou que têm em atraso.

 

Já em 2012, eu revelava aqui no blog, os números reais de um pagamento a um pequeno autor pelas vendas do seu livro. Para memória futura, deixo novamente esses cálculos.

 

Estamos a falar de um livro que tem o valor unitário de 14,19€ (preço s/IVA) e no ano de 2011 foram vendidas 82 unidades (curiosidade: o livro já não é novo) e gerou em vendas, 716,28€. Considerando os escalões da taxa de direitos de autor, o valor será sujeito a uma taxação de 5,00% sobre o valor de total de vendas. Neste caso, o valor apurado é de 35,84€. Sobre o valor apurado incide uma percentagem do autor sobre os direitos apurados de 12,50%. Ou seja, no total, o autor receberá apenas 4,48€.

 

 

Para que não haja dúvidas, aqui fica a declaração, com a eliminação dos dados da obra e do autor em causa, por motivos óbvios (para quem quiser ver numa dimensão legível, bastará clicar na imagem).

 

Declaração de Direitos de Autor

 

 

Em suma, de um volume de vendas de 716,28€, o autor recebeu apenas 4,48€. Em todo este processo, vi ou senti vontade por parte das entidades que representam os autores, em rever estas percentagens. É fácil fazer as contas... se as taxas cobradas ao consumidor aumentam e as percentagens atribuídas aos autores se mantém, é escusado dizer que são as entidades e pessoas que vão facturar e muito com esta revisão da Lei.
A SPA poderá fazer as FAQs que quiser (mesmo copiadas), que nunca conseguirá explicar e justificar tudo que foi referido neste post ou no comunicado da AGEFE.
E para terminar... e porque o nome deste post não é inocente, não posso deixar de publicar o vídeo de Rob Reid, quando ele expôs a "Matemática do Copyright" numa TED Talk e que têm tudo a ver com as contas que são apresentadas pelas entidades que alegamente representam a indústria e os artistas.

 

 

 

 

Mandela

06.12.13
Mandela


Aos 95 anos, morre um dos símbolos do nosso mundo. Bem sei que a web vai encher-se de fotos, posts e textos sobre Nelson Mandela. Mas, não é possível ficar indiferente a uma figura, que personifica a Liberdade e que é possível, mudar um país, um povo e eventualmente o mundo.

 

A Internet

22.08.13
A Internet

 

O que Mark Zuckerberg, Snowden, Manning e as Eleições Autárquicas têm em comum? Isso mesmo que estão a pensar... a Internet. O CEO do Facebook anunciou uma nova iniciativa para ligar toda a população mundial à Internet...mas será assim tão simples?

 

 

Obviamente que não. A própria proposta do Mark Zuckerberg levanta algumas questões. É uma proposta mais pragmática e realista que o "Project Loon" do Google. Para além do Facebook, outras empresas tecnológicas juntaram-se ao projecto, como a Samsung e a Nokia. Mas considerando que estamos a falar da Internet, é interessante verificar que as empresas que fornecem Internet, ficaram de fora desta iniciativa. No dia-a-dia, são os operadores móveis a impôr a sua vontade sobre os fabricantes de equipamentos, não estou a ver como poderá acontecer o contrário nesta iniciativa.

 

Por outro lado, apesar do Mark Zuckerberg negar que o Facebook não teria grandes benefícios financeiros, parece-me óbvio que o aumento de utilizadores do Facebook resultarão sempre em maior retorno.

 

Tornar o acesso à Internet, universal e para todos, é uma visão que me deixa optimista para o futuro. Mas não podemos esquecer, que algumas das regiões apontadas, como regiões que continuam offline, também são regiões com problemas básicos, sem acesso a água potável, comida, educação, etc. Será que a universalização da Internet, vai garantir o resto? Não me parece.

 

 

 

Outra questão que tem estado em destaque nas notícias são os casos Snowden e Manning e os casos de espionagem que estão a ser praticados, um pouco por todo o mundo (e a respectivamente legalização, com menor liberdade para os cidadãos). É, seguramente, um dos problemas da democratização da Internet. Mas como em tudo...funciona nos dois sentidos. Por um lado os cidadãos têm que compreender, que a simples utilização da web, significa perder grande parte da sua privacidade. Por outro, os governos estarão mais expostos e se jogarem sujo, rapidamente serão desmacarados, sendo apenas necessário existir alguém como Snowden e Manning para revelar muitos dos pobres da nossa governação. 

 

E por causa destes casos, muito se tem falado da capacidade dos estados em utilizar os novos meios. O terrorismo é normalmente o pretexto mais comum. No entanto, os casos sucedem-se. Será que o sistema simplesmente não funciona ou há muitos casos prevenidos, que não são do conhecimento do público.

 

E por falar em democracia...alegadamente, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) pretende limitar a forma como são realizadas as campanhas dos candidatos às eleições autárquicas na Internet. Há aqui qualquer coisa de muito errado, quando a CNE não se consegue adaptar à realidade e aos novos meios de comunicação, mas aceita as candidaturas de pessoas que se encontram detidas ou não se podem candidatar, em virtude da Lei de limitação de mandatos.

 

Dito isto...é possível acreditar num futuro positivo para a Internet e para todos nós? Eu quero acreditar que sim...reparem no impacto que a Internet teve nas nossas vidas, desde que se massificou a partir de 1995.

PRISM - O verdadeiro Big Brother?

10.06.13
Prism

 

Enquanto a comunicação social portuguesa, se vai perdendo no seu próprio museu e nos problemas existênciais do Garpar e a chuva, o resto do mundo, vai conhecendo o sistema PRISM.

 

Para quem não conhece a história, o The Guardian e o The Washington Post avançaram com a hipótese da existência de um sistema de monitorização global de comunicações (a notícia original, fazia referência à monitorização da operadora Verizon), com a permissão e colaboração (acesso directo aos servidores) das principais empresas tecnológicas: Microsoft, Yahoo!, Google, Facebook, Paltalk, YouTube, Skype, AOL e Apple, sendo que, o Dropbox estaria prestes a entrar na mesma lista.

 

O sistema denominado PRISM é gerido pela NSA - National Security Agency e foi criado com base no Patriot Act, uma lei que permite ao governo norte-americano criar estes sistemas, usando o pretexto do terrorismo e da segurança nacional para criar sistemas de monitorização. Apesar da informação recolhida, algumas fontes apontam a única informação recolhida era a "metadata" das comunicações, ou seja, o sistema apenas verificação, quem ligou a quem ou trocou mensagens ou e-mails, ignorando o seu conteúdo e tal como os sistemas do Google, também o PRISM verifica quais os trends da rede, num determinado momento.

 

No dia 6 de Junho, o mundo tem conhecimento da existência do sistema PRISM e um de alegado Powerpoint (houve quem tivesse redesenhado o famoso Powerpoint) que descrevia como funcionava o sistema, iniciado ainda durante a presidência do George W. Bush, mas que se terá expandido já na presidência de Obama.

 

Nos dias que se seguiram, as empresas visadas vieram a público negar todas as acusações. Que desconheciam a existência de tal sistema e que todos os pedidos das autoridades são tratados com critério.

 

No entanto, elementos da NSA e o próprio presidente Obama assumiram a existência deste tipo de sistemas de monitorização, sendo que, o presidente norte-americano, foi bastante directo e esclarecedor na conferência de imprensa, durante a visita oficial do PM da China.

 

Ontem, o The Guardian divulgou o vídeo de Edward Snowden, confirmando que ele esteve na origem da fuga de informação que deu a conhecer o PRISM.

 

Feito o balanço do que sabemos, resta saber quem está a mentir, porque alguém está seguramente a mentir ou a forma como o PRISM funciona está muito mal explicado. Uma vez que o The Guardian e o The Washington Post são os autores da notícia, era interessante lançar mais dados sobre o sistema. Infelizmente, ficaram-se pelo divulgação da figura fundamental desta notícia, que também não acrescentou muito mais ao que já sabíamos.

 

Portanto, gerado o ruído, resta lamentar o absoluto silêncio dos media portugueses sobre este assunto. Infelizmente, os Balsemões desta vida, preferem perder tempo com a indexação do Google ou serem comprados pelo dinheiro sujo e porco dos "angolanos".

Novos tempos

23.04.13
Novos tempos

 

Na manhã de hoje, três notícias passaram-me pelos ecrãs e por algum motivo, achei que havia uma relação entre elas e podia ainda acrescentar uma outra, que fazia referência aos números sobre as salas de cinema, no último fim de semana, sendo o pior dos últimos dois anos.

 

Mas vamos ao que importa.

 

Jorge Jorge Letria, presidente da SPA, revelou à TSF, que "Há autores consagrados que não conseguem editar livros", no mesmo dia em que um dos elementos da banda The Curimakers, confessa quanto recebeu da SPA, a quantia de 0,01€ relativa aos direito de autor do ano de 2012.

 

De resto, a questão dos valores relativos aos direitos de autor, não são uma novidade no blog. Em Março de 2012, já tive oportunidade de publicar alguns dos valores que são pagos a um escritor.

 

Portanto, quando a SPA revela que os autores não conseguem editar, também é preciso compreender, se não o fazem, é porque não vendem ou porque não recebem o valor que deveriam receber. Na mesma notícia, é referido que, as editoras portuguesas cortaram no número de edições e na quantidade de exemplares impressos de cada obra e que vai ser solicitado o apoio do Estado (estou curioso para saber, em que sentido vão pedir a ajuda do Estado).

 

Mas os dados revelados pela SPA, não esclarecem, no que diz respeito às vendas de e-books. Acredito que haja uma redução no mercado. Mas também acredito que alguma dessa redução, é compensada pela compra de e-books, que não seguem exactamente as mesmas regras dos livros em papel.

 

Contudo, não deixa de ser irónico que a SPA, que não cumpre o seu papel, venha queixar-se que os autores não conseguem fazer chegar as suas obras ao público, quando, nunca como agora, esse acesso foi democratizado e qualquer um de nós, tem ferramentas que permitem publicar facilmente uma obra. Obviamente, que os novos circuitos funcionam à margem da SPA. Escuso de dizer que a curto prazo o papel da SPA deixa de fazer sentido e serão os seus sócios a perceber isso.

 

Para finalizar e fazendo uma ponte com as novas formas de publicação de obras, não posso deixar de destacar a entrevista do filósofo Anselm Jappe ao jornal Público, em que é colocada a questão: "O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho?"

 

Algo de muito errado... "Mas o sistema é um "castelo de cartas que começa a perder peças". E é tempo de repensar o conceito de trabalho"

Podemos concordar ou não, mas não podemos ficar indiferentes com as palavras de Jappe. O paradigma está a mudar. Temos novas formas de obter o nosso rendimento. Há evolução tecnológica. Há novas necessidades. Há novos recursos para explorar. Há novos modelos de negócio para criar. É preciso reconhecer essas alterações e dar o passo em frente (apesar da constante pressão de certo lobbies).

 

Repito, entidades como a SPA, estão ultrapassadas. Fazem parte de um século que já ficou para trás há 13 anos. O mesmo se aplica à Europa, que está agarrada a uma União, que de união tem muito pouco. Dizem que a história se repete...e se calhar repete-se mesmo, porque temos novamente uma Alemanha, a reconhecer que os países do Euro terão que ceder a sua soberania. Pergunto, se a Alemanha também estará disposta a fazê-lo.

 

Uma coisa é garantida...o mundo começou a mudar em 2001, numa certa manhã de Setembro...13 anos depois, ainda não percebemos que mudança foi essa e para onde caminhamos.

 

Como diria, José Hermano Saraiva, vamos continuar a ter "noite de luar, a Serra de Sintra e o Tejo a correr para o mar". Pessoalmente, gostava de ter esta visão optimista, mas olhando o mundo que nos rodeia, fica um pouco complicado.

Algo de muito errado...

21.04.13
Algo de muito errado...

 

Algo de muito errado está acontecer nos EUA. E não falo necessariamente dos recentes acontecimentos em Boston. Curiosamente, apesar da aparente liberdade para a compra de armas, os dois irmãos fizeram o que fizeram, com recurso a outros meios, mais artesanais. Mas isso daria outra discussão.

 

É impossível ficar indiferente e achei que devia regressar ao blog para abordar a questão das armas e dos americanos, depois de ter visto o alerta do movimento "Moms Demand Action", que publicou um conjunto de imagens que mostram que algo está realmente muito errado.

 

Estas são as principais imagens da campanha...

 

Moms Demand Action  Os ovos Kinder foram banidos por causa da segurança das crianças. 
O "Capuchinho Vermelho" foi banido porque levava uma garrafa de vinho no cesto.  Moms Demand Action 
Moms Demand Action  O Dodgeball foi banido, porque foi considerado violento. 

 

 

É verdade que a cultura das armas está severamente enraizada na cultura norte-americana e é comum ouvir o argumento da 2ª Emenda da Constituição norte-americana para defender a posse de armas. O que eles ainda não perceberam foi que o principal ou principais problemas é perceber que tipo de pessoas adquire armas e que tipo de armas. Mas, a ver pela última votação (que foi chumbada) no Congresso, só teremos novidades, depois do próximo tiroteio ou massacre.

 

Também gostei de ouvir o João Miguel Tavares no Governo Sombra, sobre esta temática. De facto, os norte-americanos têm uma capacidade invulgar de encarar estas situações e rapidamente criam heróis, prestam homenagens e fazem o luto. Mas é tudo muito plástico e efémero. Daí a poucos muitos já ninguém se lembra do sucedido ou criam um dia especial, com recurso a rotinas e momentos de evocação, que pouco ou nada ajuda as famílias afectadas ou ajuda a prevenir futuros ataques ou tiroteios.

 

Há dias, o congresso chumba uma revisão da lei das armas e Newtown cai no esquecimento. Rapidamente, Boston também será esquecido e os americanos não farão um esforço em compreender porque razão, dois jovens refugiados, acolhidos nos EUA, acabam por cometer um acto deste género. Não basta colocar-lhes um rótulo de "terroristas". É preciso ir mais além. Mas, sabemos que não o vão fazer e daqui a uns meses ou anos, estaremos a ter novamente esta discussão.

 

Para finalizar esta reflexão, deixo-vos com o vídeo da campanha do movimento "Moms Demand Action".

 

Obama

23.01.13
Barack Obama

 

É verdade que o Obama perdeu algum do brilho inicial, quando ganhou as eleições em 2008. A fasquia ficou muito alta, em parte pela expectativa que o próprio Barack Obama ajudou a criar.

 

 

Discurso Barack Obama

 

De qualquer forma, o discurso da tomada de posse do segundo mandato, que só agora tive oportunidade de ver, é absolutamente exemplar e até especial. Apesar das recorrentes acusações de que o Presidente Obama é socialista, a verdade é que as suas políticas são de facto, mais viradas à esquerda, sobretudo em 5 áreas: armas, alterações climáticas, direitos dos gays, lei da imigração e defesa dos programas sociais.


Mas isso não é necessariamente mau, embora os republicanos não achem o mesmo, os mesmos republicanos que ainda são a maioria no Congresso, têm dificultado a tarefa de Obama.


Tal como no primeiro mandato, não acredito que o Obama consiga cumprir a sua agenda, mas este discurso é obrigatório.