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iPhil

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Jeff Bezos compra o The Washington Post

05.08.13
Jeff Bezos compra o The Washington Post

 

É seguramente, a notícia do dia e que marcará as notícias de tecnologia nos próximos dias. Aquele que eu considero que será a figura influente que irá suceder a Steve Jobs, adquiriu o jornal The Washington Post por 250 milhões de dólares em dinheiro. Falo de Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon.

 

A notícia, foi já confirmada pelo jornal que acaba de ser comprado e está a agitar a blogosfera, num mês que se esperava calmo, tivemos as reacções ao lançamento do Moto X, por parte da Motorola, que agora pertence ao Google e agora, o fundador e CEO da Amazon, vem agitar as águas, com a compra, a título pessoal (através de uma outra entidade, propriedade de Jeff Bezos, que não a Amazon), o lendário jornal The Washington Post, responsável pela divulgação do caso Watergate, que resultou na demissão do presidente Nixon.

 

Alegadamente, Jeff Bezos terá vendido um volume considerável de acções da Amazon há poucos dias, eventualmente com o objectivo de concretizar este negócio. Negócios e milhões à parte, a pergunta que todos fazem na web neste momento é: "Porquê?"

 

Para já, Jeff Bezos garante que a gestão vai manter-se como até aqui (até porque vai manter o seu emprego principal, como o próprio refere). No entanto, ninguém realiza um negócio desta escala com o objectivo de manter a gestão como está, especialmente num negócio já viu melhores dias.

 

Por isso, deixo uma aposta pessoal. E não passa de pura especulação. Nós sabemos como a Amazon mudou alguns mercados e continua a mudar, especialmente no mercado dos livros e dos e-books. Apesar do negócio ser feito em nome pessoal e nada tem a ver com a Amazon, será que Jeff Bezos acredita que pode mudar o mercado da imprensa escrita e dos jornais? Será que pretende mostrar aos poderes instalados nesses meios, que caminho devem seguir daqui para a frente?

 

Outra dúvida que fica e essa, terá eventualmente uma resposta mais simples é: "Porquê o The Washington Post? Porque não, outra publicação?"

 

Não é inocente a escolha por uma publicação sediada na capital, no centro do poder. Será este negócio, uma forma de Jeff Bezos mostrar que o 4º poder ainda tem peso numa sociedade livre e que toda esta confusão com a NSA e a pressão sobre os media terá que ser repensada (ainda no TWiT gravado ontem, se discutia essa questão)? Qual é o melhor sítio no planeta para o fazer? You get it!

 

De resto, o The Verge já teve acesso ao comunicado enviado aos funcionários do The Washington Post:

 

To the employees of The Washington Post:

 

You'll have heard the news, and many of you will greet it with a degree of apprehension. When a single family owns a company for many decades, and when that family acts for all those decades in good faith, in a principled manner, in good times and in rough times, as stewards of important values - when that family has done such a good job - it is only natural to worry about change.

 

So, let me start with something critical. The values of The Post do not need changing. The paper's duty will remain to its readers and not to the private interests of its owners. We will continue to follow the truth wherever it leads, and we'll work hard not to make mistakes. When we do, we will own up to them quickly and completely.

 

I won't be leading The Washington Post day-to-day. I am happily living in "the other Washington" where I have a day job that I love. Besides that, The Post already has an excellent leadership team that knows much more about the news business than I do, and I'm extremely grateful to them for agreeing to stay on.

 

There will of course be change at The Post over the coming years. That's essential and would have happened with or without new ownership. The Internet is transforming almost every element of the news business: shortening news cycles, eroding long-reliable revenue sources, and enabling new kinds of competition, some of which bear little or no news-gathering costs. There is no map, and charting a path ahead will not be easy. We will need to invent, which means we will need to experiment. Our touchstone will be readers, understanding what they care about - government, local leaders, restaurant openings, scout troops, businesses, charities, governors, sports - and working backwards from there. I'm excited and optimistic about the opportunity for invention.

 

Journalism plays a critical role in a free society, and The Washington Post -- as the hometown paper of the capital city of the United States -- is especially important. I would highlight two kinds of courage the Grahams have shown as owners that I hope to channel. The first is the courage to say wait, be sure, slow down, get another source. Real people and their reputations, livelihoods and families are at stake. The second is the courage to say follow the story, no matter the cost. While I hope no one ever threatens to put one of my body parts through a wringer, if they do, thanks to Mrs. Graham's example, I'll be ready.

 

I want to say one last thing that's really not about the paper or this change in ownership. I have had the great pleasure of getting to know Don very well over the last ten plus years. I do not know a finer man.

 

Sincerely,

Jeff Bezos



Vamos ficar à aguardar, nos próximos dias, das reacções e consequências deste negócio.

Le Tour 100

22.07.13
Le Tour 100

 

Ontem, terminou mais uma edição do Tour de França. Só a 100ª edição da prova rainha do ciclismo e a organização decidiu que desta vez, a última etapa seria ao final da tarde e tirando partido dos efeitos visuais projectados no Arco do Triunfo.

 

É verdade que não acompanho toda a época do ciclismo, mas dou mais atenção à Volta a Portugal e ao Tour de França. No caso do Tour, ainda dou mais atenção. Já acompanho a prova há muitos anos, desde os anos 90, quando reinava o espanhol Miguel Indurain.

 

Nessa altura, ainda estudava e o período de férias permitia acompanhar grande parte da prova. Nos dias de hoje, tenho que me ficar pelos fins de semana e pelas gravações automáticas do MEO e por isso, não acompanho da mesma forma. Mas tento, na medida do possível, acompanhar as etapas rainha, como o Mont Ventoux ou o Alpe d'Huez e obviamente a chegada a Paris, aos Champs-Élysées.

 

É verdade, que o doping (é impossível não abordar este tema), afectou e muito a credibilidade da prova. Sinceramente, quero acreditar que ainda é possível acreditar no ciclismo e especialmente o Tour, nem que seja por respeito a uma prova que chegou à edição nº 100 e com histórias absolutamente inacreditáveis.

 

Algumas dessas histórias podem ser descobertas através dos artigos do Público, da autoria da minha amiga Ana Marques Gonçalves. Passem por lá e não deixem de conhecer um pouco mais da fantástica história de 110 anos, do Tour de França.

 

Paris - Champs-Élysées

iPad: Revistas

20.12.10

Chegados ao final do ano de 2010, as aplicações que nos chegam para o iPad começam a entrar numa fase de maturidade interessante e podemos começar a perceber qual será o caminho a percorrer pelos tablets, nomeadamente o iPad.

 

Revistas

 

Nos últimos anos, muito se discutiu o futuro dos livros e da imprensa. Muitos disseram que estariam mortos...outros disseram que podiam não morrer, mas iam passar um mau bocado e até podiam conseguir resistir, que outros iam conseguir inovar, renovar o modelo de negócio e finalmente outros diriam que os formatos antigos iam manter-se para sempre, apesar da tecnologia...obviamente que há mais posições em relação a este tema, mas estas são as abordagens mais habituais.

 

Com base na minha utilização diria que os livros e os jornais diários dificilmente terão espaço no meu iPad. Mantenho a minha posição que já leva alguns anos...ainda me é difícil pegar num meio que não o próprio livro e ler um volume grande de texto, durante tanto tempo. Neste caso em particular, a preferência continua a ser a comprar do livro físico. Em relação aos jornais...pois bem, acho que estes devem apostar numa presença activa nestes novos meios. No entanto, a disponibilização do jornal diário, não faz qualquer tipo de sentido no mundo que vivemos actualmente. Os jornais apresentam conteúdos globalmente desactualizados, que foram apresentados na hora no respectivo site e para além disso, não tenho propriamente tempo para a leitura do jornal diário.

 

Resta-nos as revistas mensais e semanais e aqui sim, a minha opinião muda. Dado que falamos de conteúdos diferentes, com um contexto diferente, a disponibilização num formato optimizado para iPad, poderá ser o caminho a seguir. Existe mais tempo para usufruir o produto e é um meio que permite a inclusão de outro tipo de meios, como vídeo, a imagem e o áudio, de forma adaptada e que consegue complementar a versão impressa. Por outro lado, dá espaço a projectos que não necessitam de recorrer a gráficas e editoras, para fazer chegar o seu produto ao cliente. Criam uma aplicação e rapidamente chegam ao iPad do cliente.

 

O exemplo mais recente é a criação da revista "Project", propriedade da Virgin. É um revista criada especialmente para os utiilzadores do iPad e é evidente a presença de elementos multimédia em toda a revista, mas de uma forma subtil e eficaz.

 

O mesmo acontece com a revista "Wired". Apesar da existência da revista em papel, a "Wired" para iPad segue a mesma lógica da "Project", com um resultado que me parece muito interessante e poderá ser um indicador do caminho que teremos pela frente, nesta matéria.

 

A nível nacional já temos vários exemplos de publicações que apostaram no digital, mais concretamente nos iDevices. Os jornais e revistas da Controlinveste já têm aplicações para iPhone e iPad, bem como as publicações do grupo Impresa.

 

A revista "Visão" foi um das que se destacou. Apesar das inúmeras falhas que apresenta, não se podendo comparar com as revistas que referenciei, acho muito interessante que estes projectos nacionais tenham avançado para esta área, aproveitando o hype em torno do iPad, embora não consiga compreender porque razão a "Visão" obrigue à consulta da revista na horizontal e não permita a leitura nas duas posições, vertical e horizontal.

 

Em resumo, tratando-se de publicações semanais ou mensais, existe mais tempo para consumir e ler os respectivos conteúdos, valorizando o preço que se paga por cada edição. No caso dos diários, esse valor poderá ser mais elevado, porque nunca vamos consumir a totalidade do conteúdo disponibilizado.

 

De qualquer forma, fiquei com a clara sensação que poderei facilmente tornar-me num consumidor de revistas e magazines no iPad, mas continuarei a resistir em relação aos e-Books e jornais digitais.

As capas dos jornais

14.10.10

Que o nosso jornalismo está em crise, já tinhamos percebido há muito tempo...mas quando vejo, por exemplo, as capas de hoje e verifico que 4 dos jornais diários utilizam exactamente a mesma fotografia, referente ao resgate dos mineiros no Chile.

 

Aqui está a prova...

 

Jornais

 

Jornais

 

Será que não há mais fotos sobre um acontecimento que teve a cobertura que teve? Sinceramente não consigo compreender...eu entendo que se tende escolher uma fotografia iconográfica sobre o acontecimento, mas basta olhar para o The Big Picture, para se perceber que era possível escolher outras fotografias e outras publicações fizeram-no, obviamente.