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iPhil

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CES 2015 - Balanço

11.01.15
CES 2015 - Balanço

 

Foi um final de semana, absolutamente épico, que me impediu de acompanhar os dias 2 e 3 da CES 2015. NA medida do possível aqui fica o balanço da edição deste ano, que deixa mais questões do que respostas.

 

Televisores 4K & Beyond

Havia imensa expectativa em torno do que podia ser apresentado, quer em termos de hardware, ecrãs e conteúdos. Por um lado, de facto houve novidades interessantes. Por outro, a abordagem foi muito conservadora.

 

Samsung SUHD TV

  

Quantum Dots

 

 

As marcas aproveitaram para apresentar alguns modelos que incorporam tecnologia que pretende trazer com a melhor qualidade possível os actuais conteúdos em HD para o universo 4K. Foi o caso da tecnologia "quantum dot" da Samsung.

 

No caso dos interfaces, destaque para a força presença do Google e da plataforma Android TV, que marcará nas principais marcas de televisores. A primeira a fazê-lo em grande foi a Sony.

 

Sony 4K | Android TV

 

 Ou seja, havia uma hipótese, que fossem apresentados alguns protótipos 8K, mas foi o 4K que esteve em grande, ainda com muitas dúvidas, uma vez que faltam conteúdos em 4K e os mesmos são difíceis de distribuir, considerando as estruturas actuais e os tarifários praticados pelos operadores de internet fixa e móvel. Foram anunciadas algumas parcerias para a distribuição de conteúdos em 4K. Veremos na prática no que vai resultado.

 

Para o movimento CordCutters, o Sling TV foi uma simpática novidade. Mas é preciso não esquecer que o seu modelo de negócio baseia-se num modelo desactualizado, isto é, através desta plataforma, é possível ter um serviço de televisão via Internet. A questão é que a forma de consumo mudou e não basta passar a distribuição do cabo ou da fibra para a web. A tendência será ter acesso a um conjunto de contéudos... filmes, séries ou eventos específicos.

 

Sling TV

 

Automóveis e a tecnologia

A CES 2015, foi marcada, sem dúvida, pelas novidades apresentadas pela indústria automóvel, em que a BMW demonstrou um sistema anti-colisão, com obstáculos, peões ou outros veículos. A BMW foi mais longe e apresentou uma solução compatível com alguns smartwatches que permite que o veículo de forma autónoma consiga encontrar um lugar de estacionamento.

 

BMW i3 - Sistema anti-colisão

 

 A Audi foi a demonstração com maior destaque, com a apresentação do sistema "Audi Piloted Driving". Até à realização da CES, o ponto alto desta tecnologia tinha sido demonstrada em Hockenheim, quando a Audi colocou em ritmo de corrida um dos modelos A7 disponíveis com esta nova tecnologia, que dispensa totalmente o condutor. Para a CES, o teste passava por transportar jornalistas de Silicon Valley e Las Vegas. Impressionante. Sem dúvida.

 

Audi Piloted Driving

 

 Mas a indústria automóvel veio para ficar. As principais keynotes foram das responsabilidade das principais marcas de automóveis, uma semana antes do seu próprio evento em Detroit. O que comprova o peso que a CES passou a ter na estratégia destas empresas.

 

IoT - Internet of Things

Obviamente, seria um tema obrigatório. Mas pela cobertura que foi dada pela imprensa, porque efectivamente estamos longe, muito longe do cenário ideal. O que foi para mim, uma desilusão, especialmente após o lançamento das plataformas de desenvolvimento da Apple com o Home Kit e o Android Home.

 

Há projectos interessantes, como o pseudo-ecossistema da Samsung ou o WeMo da Belkin. Mas, nada de disruptivo foi apresentado na CES.

 

Internet of Things

 

 

Game of Drones

De forma surpreendente, os drones marcaram uma forte presença, especialmente com a DJI e o seu Inspire 1.

 

DJI Inspire 1

 

 Mas foram apresentados drones para todos os gostos, com destaque para os drones apresentados na keynote da Intel, que utilizam a tecnologia RealSense, uma plataforma que estará disponível, praticamente em todos os equipamentos e cenários onde a tecnologia poderá ter um papel ou uma função. Podemos estar a falar de um drone que se torna autónomo e "lê" o ambiente que o rodeia, até ao cego que utiliza um colete que o ajuda a evitar obstáculos.

 

Pessoalmente, acho que a utilização dos drones deverá ser regulamentada e fiscalizada. Felizmente, ainda não houve uma massificação destes equipamentos. Eventualmente, essa regulamentação só será feita, depois de um acontecimento grave, envolvendo drones.

 

Ainda há PCs...

Sim, sou um feliz utilizador Mac desde 2007. Não pretendo voltar. Mas não posso deixar de estar atento às novidades (e espero bastante do novo Windows 10). E há pelo menos 3 novidades apresentadas na CES, que eu não posso deixar de destacar.

 

Dell XPS 13

Fiquei bastante impressionado com o novo Dell XPS 13. É lindíssimo. É tudo ultra naquela máquina. O design. O ecrã. Se tivesse que comprar um portátil, faria tudo para conseguir comprar este XPS 13. Nos EUA, tem como preço inicial $799.

 

Dell XPS 13

 

Lenovo ThinkPad X1 Carbon

A estrela da CES foi o Lenovo Yoga, mas aquele que me deixou igualmente babado foi o Lenovo ThinkPad X1 Carbon. Desde sempre que oiço falar da robustez destas máquinas e se há máquina que mostra isso é este modelo do Lenovo. Outro facto curioso foi o site criado pela Lenovo, apenas com produtos que foram apresentados na CES 2015.

 

Lenovo ThinkPad X1 Carbon

  

Intel Stick

As boxes Android são uma realidade há muito tempo. A CES trouxe-nos os televisores com Android TV e hardware compatível. Depois do Chromecast, do Roku ou do Fire Stick da Amazon, agora é possível transformar o vosso televisor num computador Windows 8.1, com o Intel Stick.

 

Intel Stick

Wearables e smartwatches

Outra desilusão... wearables e smartwatches. Aparentemente o mercado está em suspenso para ver o que acontece com o Apple Watch, que poderá ser lançado em Março. Mesmo assim, houve apresentações bem interessantes, que merecem destaque:

 

Sony SmartWatch 3

Sony SmartWatch 3

 

 

LG webOS smartwatch

LG webOS smartwatch

 

Alcatel One Touch Watch

Alcatel One Touch Watch

 

Withings Activité Pop

Withings Activité Pop

  

E o pior?

Essa é fácil... Selfies e Belfies Sticks... porquê? PORQUÊ?

 

Belfie Stick

 

 

E havia muito mais, mas muito mais para referir... por isso, deixo-vos o desafio para revelarem as vossas escolhas ou passaram pelas escolhas do The Verge ou 257 Gadgets em 3 minutos.

 

 

CES 2015 - Dia 0

07.01.15
CES 2015 - Dia 0

 

Automóveis, automóveis, automóveis e mais automóveis. Parece que o cruzamento entre tecnologia e a indústria automóvel veio para ficar. Mas não só... há mais cruzamentos... alguns inesperados, outros nem tanto!

 

No momento em que escrevo este post, a CES vai no primeiro dia oficial e decorre a keynote oficial de arranque do evento, que actualmente é da responsabilidade da Intel. Mas muito já aconteceu, no chamado "Press Day" e será complicado resumir tudo num único post. Vou tentar fazê-lo.

 

4K, 4K, 4K

No último post, apontei que podíamos ter algumas novidades nas resoluções apresentadas pelos fabricantes de televisores. Contudo, parece que houve uma clara aposta em mais e melhor 4K (com o maior ou mais fino ecrã e a tecnologia Quantum), apostando antes em conteúdos, aplicações e mais importante do que isso, uma clara aposta na optimização do interface e menus. É aqui que encontramos o primeiro cruzamento... com tablets. Aparentemente, a experiência "second screen" com tablets, demonstrou aos fabricantes que o caminho a seguir, deveria ser o da implementação de interfaces baseados em tablets. A Sony optou por incorporar hardware optimizado para receber o Android TV da Google (deixando por isso cair o projecto Google TV). A Samsung optou por integrar o seu antigo sistema operativo Tizen e integrá-lo nos televisores. Neste caso, cai o conceito "SmartTV".

 

Samsung 4K TV

Sony 4K TV

 

 

 

Em jeito de "spoiler", diz-se que a indústria chinesa vai responder em força às concorrentes coreanas, como são os casos da TCL e da Hisense (nomes para começar a reter).

 

Fazendo um curto enquadramento com o cenário em Portugal, é curioso ver o aparente desinteresse na adoptação do HD, quando o 4K já está aí, em grande força, porque ao contrário do HD, tudo leva em crer que os fabricantes, a indústria cinematográfica, os produtores de conteúdos, os distribuidores de conteúdos e especialmente os utilizadores e consumidores estão a adoptar muito rapidamente o 4K. O que é um contraditório, quando pensamos nas necessidades em termos de largura de banda e limites de tráfego e a forma conservadora como os operadores de Internet olham para esta tecnologia. Portugal, parece alheado disto tudo.

 

Internet of things e wearables

Este "report" é baseado no que foi possível ver e ler no dia 0 e aparentamente estas duas categorias não surgiram com a força que era esperada. A Alcatel e a Sony apresentaram os seus novos smartwatches, mas a principal novidade ou curiosidade tem a ver com o maior ponto fraco destes equipamentos: autonomia. Tudo indica que estes dois novos modelos apresentam uma autonomia de 2 dias. O melhor apresentado até hoje. Considerando que a Apple se prepara para lançar (em Março) o muito aguardado Apple Watch, ficará a curiosidade em saber se a Apple vai a tempo de conseguir garantir, pelo menos, 2 dias de autonomia. Ou até mais do que isso.

 

sony-watch

 

alcatel-one-touch

 

 

E "Internet of Things"? Eu diria mais "Internet of All Things". Parece que a Samsung tem uma ideia muito clara do futuro e que o futuro é o presente... E começa com a sigla "IoT"!

 

 

 

Eu vejo este vídeo e limito-me a ver alguns conceitos engraçados... todos eles perfeitamente reais e acessíveis a todos nós. Com um pequeno detalhe... o ecossistema. Com a ausência de uma verdadeira standardização entre plataformas, equipamentos e sistemas operativos, ficará complicado alinhar de forma harmoniosa, o nosso carro, com o nosso smartphone, com o nosso smartwatch e que por sua vez, terão que ser compatíveis com os equipamentos de automatização da nossa casa e todos os equipamentos que fazem parte desse universo, desde o televisor até ao frigorífico ou máquina de lavar roupa.

 

 Apesar da existência de alguns SDKs de desenvolvimento para developers, parece que a standardização está ainda distante.

 

Automóveis, Automóveis, Automóveis

Mercedes, Audi, Wolkswagen e Hyundai são algumas marcas de automóveis que marcam presença oficial na CES 2015, confirmando de uma vez por todas, que a indústria automóvel veio para ficar.

 

Depois de uma experiência de cegueira, a indústria automóvel percebeu finalmente que a tecnologia teria que fazer parte do futuro da indústria automóvel. E a vários níveis. A um nível mais básico, incorporando o nosso smartphone e o respectivo ecossistema no dashboard e sistemas do carro. Estou naturalmente a referir os sistemas Android Auto e Apple CarPlay. Quando foram anunciados, estava com algum receio que as marcas acabassem por escolher uma plataforma em detrimento de outra. Felizmente parece isso não vai acontecer a Parrot parece indicar o caminho (especialmente para os automóveis actuais ou mais antigos), isto é, os sistemas incorporados, serão em teoria, compatíveis as duas plataformas.

 

 

 

As marcas estão no entanto, a recorrer à tecnologia também na segurança e a níveis nunca vistos. No ano passado já tínhamos assistido ao estacionamento automático e autónomo, sem condutor, da Audi. Este ano, a BMW apresentou um sistema semelhante e ainda lhe acrescentou as funcionalidades que permitem que o veículo possa colidir com qualquer objecto, seja uma parede, um muro, outro veículo ou um peão.

 

 

 

Mas o que impressiona verdadeiramente são os sistemas da Audi, instalados no Audi A7 e testados nos protótipos RS7, sendo que, parte da tecnologia é da Nvidia, que fez questão de incluir a Audi na sua própria apresentação. Nessa mesma apresentação, o representante da Audi fez questão de resumir o que tem sido desenvolvido, na parceria Audi/Nvidia e que o expoente máximo foi apresentado na última corrida do DTM em Hockenheim, com a demonstração do Audi RS7 em pista, sem condutor em ritmo de corrida.

 

 

 

Para a CES, a Audi decidiu testar a longa distância, transportando jornalistas durante 2 dias entre Silicon Valley e Las Vegas para a CES. O teste em Hockenheim, em ritmo de corrida correu de forma espectacular. Estou curioso por ver o resultado desta primeira viagem longa dos Audi A7 sem condutor.

 

Mercedes

 

 

A Mercedes preferiu apostar num conceito, onde o automóvel é um espaço partilhado de trabalho ou lazer, em que o condutor é dispensável, apesar da existência do volante e que é inteligente o suficiente para interargir com o espaço que o rodeia, através de referências visuais como os LEDs frontais e traseiros.

 

 

 

Resta saber o que aconteceu aos automóveis do Google e qual é o ponto de situação do projecto.

 

Nvidia

 

 

Mas há mais... as marcas estão a desenvolver interfaces baseados em gestos, como o Kinect (é curioso, já não termos necessidade de comparar com o "Minority Report"). Pessoalmente, não sei se me convence, por causa da aprendizagem de que necessidades, quando já estamos habituais aos interfaces multitouch do iOS e Android, quando estes até estarão disponíveis via CarPlay ou Android Auto.

 

BMW Parking

 

 

Algo me parece evidente... tal como nos televisores, também nos automóveis há um cruzamento com os tablets e os enormes ecrãs multitouch no dashboard central dos automóveis. Outra tendência foi a interacção entre os automóveis com os smartwatches, evocando uma certa e determinada memória dos anos 80...

 

 

 

A BMW apostou numa parceria com a Samsung com tablets e smartwatches e a Hyundai apostou numa aplicação para Android Wear, em que é possível controlar algumas das funções básicas do automóvel.

 

Então e motas??

Sim, sendo eu agora uma espécie de motard... (sim, não devo passar da Scooter), não esperava ver absolutamente nada, até ver isto...

 

Gogoro

 

 

 

 

Falo da SmartScooter (acabei de inventar a categoria) Gogoro, uma startup criada por alguns ex-colaboradores da HTC (análise da Forbes).

 

E não há mais nada??

Sinceramente, tirando os habituais "mais rápido, mais fino e com maior resolução", as estranhas keynotes e o louco da ASUS, não há muito mais a destacar deste dia 0 da CES e para ser sincero, pouco mais haverá para mostrar, embora o novo Dell XPS 13 me tivesse impressionado bastante... e é "só" um portátil.

 

 

O que esperar da CES 2015

05.01.15
O que esperar da CES 2015

 

Como é habitual, no início de cada ano, logo na primeira semana, começa em Las Vegas a CES ou International CES, como a organização deseja que seja identificada a maior exposição de tecnologia do mundo.

 

A edição de 2014, ficou marcada pela forte presença da indústria automóvel, dos wearables e das televisões 4K, confirmando o fim do 3D. Como será então a CES 2015?

 

Em jeito de "preview", posso dizer com alguma segurança, que a indústria automóvel veio para ficar na CES, seja através da nova tecnologia aplicada aos motores híbridos e recuperação de energia (como podemos ver nas "power units" V6 híbridos na F1), quer através dos veículos com novos sistemas de segurança e condução automática, sem recurso a condutor. No ano passado, várias marcas já fizeram apresentações bem interessantes. Este ano, um rumor (já não é exactamente um rumor) aponta que a Audi transportará jornalistas dos respectivos hóteis para os locais onde se realiza a CES, recorrendo ao Audi A7 sem condutor. Recordo que o percurso implica percorrer um trajecto real em plena Las Vegas, cidade onde se realiza o evento.

 

Estou igualmente curioso com os sistemas Apple Carplay e Google Android Auto que serão lançados, não só com os novos modelos, mas para os modelos mais antigos. Parece que uma das marcas há mais tempo no mercado com produtos que tentam levar o séc. XXI para os automóveis, a Parrot, vai anunciar uma muito aguardada actualização do seu sistema Asteroid, até aqui, apenas disponível com o sistema Android 2.3. Segundo o The Verge, o novo sistema será compatível com os sistemas Apple e Google, sendo a sua "killer feature".

 

Mas haverá muito mais para ver na CES 2015. Com certeza que teremos muitos relógios e wearables, uma vez que ainda nos encontramos no período em que a Apple já apresentou o Apple Watch, mas ainda não anunciou a sua data de lançamento e gama de preços para os diversos modelos. Com este cenário, todos os concorrentes, "em desespero", vão tentar apresentar os seus modelos ou os modelos actualizados das marcas que já marcavam presença no mercado, como o Pebble.

 

As últimas versões do iOS e Android apresentam SDKs de desenvolvimento para dispositivos de "home automation", mas a indústria pouco ou nada apresentou desde a apresentação das SDKs. Será na CES 2015 que veremos toda uma gama e variedade de produtos dedicados a essa área de negócio?

 

4K? 8K? Standard para o 4K? Julgo que no universo dos televisores veremos novos televisores e novas câmaras 8K. Mas convém fechar de uma vez por todas, a questão do formato standard para o 4K. De qualquer forma, a ausência de um standard e a difícil forma de distribuição (por causa da largura de banda e tamanho dos ficheiros), podem oferecer aos modelos Full HD/1080p, alguma margem de desenvolvimento, com um custo cada vez mais baixo, enquanto a indústria terá que tomar decisões em relação aos formatos seguintes.

 

As primeiras apresentações e keynotes, começam hoje mesmo, dia 5 de Janeiro, por volta da 17 horas, hora portuguesa. Tanto quanto possível, espero fazer alguns posts, que consigam resumir o que vai acontecer nos próximos dias em Las Vegas.

 

Quem quiser, pode ir acompanhando tudo o que vai acontecer em Las Vegas, através do The Verge - theverge.com/ces-2015.

O Melhor de 2014: iPhone 6

17.12.14
O Melhor de 2014: iPhone 6

A equipa dos Blogs do Sapo, lançou-me o desafio de apresentar o meu destaque Tech ou Objecto do Ano de 2014. Eu sei, a minha escolha é mais ou menos óbvia... o iPhone 6.

 

Vamos perceber o porquê da minha escolha em 3 grandes tópicos:



HYPE

O iPhone foi originalmente apresentado em Janeiro de 2007 e lançado em Junho do mesmo ano. Ou seja, há mais de 7 anos, o iPhone veio revolucionar o mercado dos telemóveis e dos smartphones. Actualmente, o smartphone é o centro tecnológico do nosso dia-a-dia e alterou por completo a oferta de smartphones.

 

Hoje, empresas como o Google, Samsung, HTC, ZTE, Huawei ou projectos independentes como o One Plus, são sucessos globais de vendas. Conseguiram, com recurso ao Android, alcançar o iPhone e o iOS. Em alguns casos, até superar. Mas nada bate o engagement e o hype criado pelo iPhone, num negócio que é o mais importante da Apple neste momento, superando o volume de negócio gerado pelo iPad e pelo o Mac.

 

Todos os anos, continua a acontecer a mesma coisa. Recorde vendas, filas q.b., stocks esgotados durante meses ou com entrega demorada ou "haters" que decidem procurar por uma qualquer falha no iPhone e por mínima que seja, o mundo inteiro revolta-se em torno daquela falha.

 

O iPhone 6 é um bom exemplo disso. Rapidamente alguém se apercebeu, com a alteração do design e do chassis do iPhone, que ele seria mais susceptível de dobrar num determinado ponto e com uma determinada força aplicada nesse ponto. Vídeos, posts, social media... o mais comum dos utilizadores sabia do problema: "Esse é o iPhone que dobra, não é?"

 

Digam-me... fanboys e haters, qual é o outro dispositivo no mercado que cria esta onda de interesse. Recordo que um dos equipamentos concorrentes do iPhone 6 Plus, o Samsung Galaxy Note 4, também apresentava uma falha no espaçamento entre o ecrã e a case, que permitia facilmente colocar folhas ou post-its nessa zona. Ao contrário do iPhone, esse problema passou quase despercebido.

 

Um dispositivo que cria este impacto, tem que pesar nas escolhas do ano, apesar de ser um dispositivo que já vai no seu 7º ano de vida.




INOVAÇÃO

O iPhone apresenta-se ainda como um produto inovador? Obviamente que não! Nem sequer é esse o método habitual da Apple.

 

Na realidade, o único iPhone verdadeiramente inovador foi o original, com a primeira iteração do iOS e o interface multi-touch, associado ao ecossistema Apple, inspirado naquilo que já era feito com o iPod.

 

Mas a combinação hardware/software e a forma como a Apple apresenta e desenvolve novas features, permite colocar os seus produtos no topo, em termos de usabilidade e experiência de utilização.

 

Um dos exemplos que posso dar, é a Câmara. Desde o iPhone 4S, que a câmara do iPhone apresenta um sensor de 8MP. Ao contrário do que se pensa, o mais importante não são os "Megapixeis", mas a abertura e a qualidade na composição das fotos no equipamento (até porque o número de Megapixeis, afecta o tamanho das fotos. É preciso considerar que a esmagadora maioria dos utilizadores têm equipamentos com menos de 16GB de espaço).

 

Por isso, a Apple tem apostado tudo na renovação e melhoria do sensor e da abertura da lente, mas sempre em torno dos 8MP. Para além disso, melhorou e muito as capacidades vídeo da mesma lente, especialmente nas funções secundárias da câmara e não apenas somente em torno da resolução. Com o iPhone 4, era possível filmar a 720p a 30fps (frames por segundo). A partir do iPhone 4S foi possível filmar a 1080p (FullHD) a 30fps. Com o iPhone 5S, a Apple virou-se para a GoPro e passou a permitir vídeos a 120fps, com vídeos em slow-motion, com um efeito que impressiona qualquer um. Com o iPhone 6 e 6 Plus, a Apple apostou na rapidez do auto-focus, na estabilização por software e hardware e no slow-motion a 240fps. Se impressionava a 120fps...a 240fps é qualquer coisa fora de série.

 

 

 

Outro exemplo que posso dar é o TouchID. Há muito tempo que existem computadores com reconhecimento através da impressão digital. Chegou mesmo a alguns equipamentos móveis (julgo que terá sido a Samsung, com um sensor na parte de trás do equipamento). Mas a tecnologia nunca "pegou". Nunca. A tecnologia biométrica chegou mesmo ao nosso Cartão do Cidadão. Mas serve exactamente para quê? Na eventualidade de usar o leitor do Cartão do Cidadão, utilizo o habitual Chip/PIN e nem sequer utilizo um dos dedos indicadores para validar o cartão.

 

 

 

 

Com a introdução do TouchID, a Apple volta a pegar numa tecnologia moribunda ou adormecida. Integra-a no ecossistema Apple e permite inicialmente, de forma quase perfeita, desbloquear o equipamento, em vez do PIN e permite adquirir apps na App Store, sem recorrer à sempre incómoda introdução da password do Apple ID, uma das 500 mil passwords que temos que memorizar. Com o iPhone 6 e com o iOS 8, o TouchID viu aumentadas as suas capacidades. Pode ser utilizado por outras apps e passou a servir para validar os pagamentos através do novo sistema Apple Pay (lojas físicas e apps).



APPLE PAY

Teria que dar um particular destaque ao Apple Pay, até porque é um assunto que me é caro. Tal como os sensores de impressões digitais, também os pagamentos móveis ou os sistemas alternativos aos cartões tardavam em pegar. Há ou havia uma enorme resistência nos diversos players no mercado, fossem os bancos, as entidades emissoras de cartões, as lojas de retalho (de pequena ou grande dimensão) ou até mesmo os utilizadores.

 

Com o Apple Pay, o cenário muda completamente e abre espaço para o Google Wallet acompanhar o mesmo sistema. Ao contrário do que se pensa, o Apple Pay não é exactamente um sistema proprietário. É verdade que só pode ser utilizado pelos utilizadores com AppleID e um equipamento Apple, mas é baseado num sistema standard de Tokenização criado pela EMVco (um consórcio com 6 membros: American Express, Discover, JCB, MasterCard, UnionPay e Visa) e todos os interessados pode utilizar este standard. Apple Pay e Google Wallet são os mais conhecidos, bem como todos os sistemas compatíveis com PayWave.

 

Ou seja, falamos de um sistema que até já se encontrava disponível em algumas lojas com terminais com PayWave ou com Contactless, como também é conhecido. Mas como referi anteriormente, o que aconteceu com as impressões digitais, este sistema não tem praticamente qualquer utilização e há mais de 2 anos que alguns sistemas em Portugal tentam solucionar a questão dos pagamentos móveis, sem qualquer sucesso. Tal como o Google Wallet, que ninguém utiliza desta forma, porque no fim, o processo "Cartão Débito/Crédito -> Chip/PIN", numa compra, ainda é o processo mais rápido.

 

Com o Apple Pay, o cenário é diferente. A Apple não só utiliza um standard, como conseguiu desbloquear a complexidade associada a uma compra e respectivo pagamento. Encostamos o iPhone, abre automaticamente o Passbook e validamos o pagamento. Simples. E de facto, os primeiros números demonstram que o serviço é um sucesso nos EUA, para já, o único mercado onde o Apple Pay está disponível.

 

 




Considerando estes factores, parece-me que não há dúvidas em nomear o iPhone como o produto do ano e com "pequenos passos", vai elevando a fasquia e a concorrência tem respondido à altura, colocando o smartphone no centro da nossa vida e tenho sérias dúvidas que os wearables consigam o mesmo sucesso, apesar do Apple Watch chegar em 2015 (tenho dúvidas que chegará em Portugal no próximo ano).

 

O iPhone e os operadores - Versão 2014

02.10.14
O iPhone e os operadores - Versão 2014

 

Chegados a Outubro, está na altura de fazer as habituais contas e comparativos no que diz respeito aos preços de aquisição dos novos iPhones 6, para que possamos perceber, porque razão em Portugal são definidos os preços que conhecemos.

 

Para facilitar a explicação, vamos centrar os números no iPhone 6 de 16GB, com preço base definido pela Apple de 699.00€.

 

Em Portugal, o iPhone poderá ser aquirido através dos 3 operadores nacionais: MEO, NOS e Vodafone e poderá ser comprado desbloqueado através da Apple Store online portuguesa ou através das lojas Premium Reseller da Apple, como a Fnac, Worten, GMS, iStore, entre outras.

 

Como já vem sendo habitual, assim que os operadores anunciam o preço dos novos modelos do iPhone, a primeira interrogação que todos fazem é: "Então, mas só 10 euros de diferença entre o preço do iPhone bloqueado e o iPhone desbloqueado? Como é possível?"

 

A realidade é que os operadores em Portugal, em virtude da alteração da Lei que abrange o desbloqueio deste tipo de equipamentos, passaram a incorporar o custo do desbloqueio no PVP do equipamento desbloqueado. Ou seja, no caso do iPhone 6 de 16GB, a Apple apresenta, como já referi, um PVP de 699.00€ e os operadores referem que o mesmo valor é de 862.38€. Um incremento de aproximadamente 160€. Por coincidência, o valor de referência para o desbloqueio do mesmo equipamento.

 

Para quem tem planos pré-pagos, não tenho dúvidas em afirmar, que efectivamente não vale a pena comprar através dos operadores. O desbloqueio terá sempre um custo associado, uma vez que ele será cobrado a quem compra como pré-pago. Com uma diferença efectiva de 10/20€ na compra do equipamento, então não há como justificar a compra a através de um operador.

 

Mas mantém-se a questão... "Valerá a pena adquirir um iPhone 6 de 16GB através dos operadores? Eventualmente através de planos?"

 

Eu diria que em Portugal, efectivamente não vale a pena comprar através dos operadores, seja em que cenário for (especialmente se não considerarmos apenas os valores, mas também a liberdade obtida). Por isso, decidi comparar os valores de aquisição através dos três principais tarifários dos três operadores, para conseguir obter o valor ou o custo total ao fim de 24 meses, somando o custo do tarifário e o custo do equipamento. Na análise que é feita, é preciso considerar alguns vectores. A saber:

 

- Do ponto de vista do custo para o utilizador (equipamento e/ou tarifário)

 

- Do ponto de vista do operador e a rentabilidade obtida através das margens e serviços

 

Para ajudar nesta análise, vamos recorrer a um quadro, que resume os elementos apontados anteriormente...

 

 

 

Como podemos verificar, através da aquisição com planos pós-pagos, o valor mais baixo em que é possível aquirir o iPhone é de 339,89€ na Vodafone. Contudo, através do MEO é possível fazê-lo por 137,90€, mas será uma aquisição a prestações e o valor do serviço será acrescido de 23,00€, relativo ao custo do equipamento. Rapidamente, é possível concluir que a aquisição através do MEO, aproxima-se e muito dos valores, quando o equipamento é adquirido através da Apple... no entanto, é preciso relembrar que esse equipamento será desbloqueado, ao contrário do equipamento comprado no MEO. Também não nos podemos esquecer que a aquisição da através da Apple, não implica a assinatura de um contrato de fidelização de 24 meses, apesar do período em análise, ser sempre de 24 meses.

 

Uma outra conclusão que podemos tirar, está relacionada com o perfil e segmento dos utilizadores em Portugal. Tenho ideia, que a esmagadora maioria dos utilizadores que contratam tarifários pós-pago, ficam-se pelos tarifários de 25€ e 30€. Contudo esses utilizadores são penalizados pelos valores de aquisição do equipamento. Sendo que, estamos a falar de diferenças na ordem dos 100€ e 200€, respectivamente para o PVP desbloqueado. Tem sido o modelo de negócio que tem imperado em Portugal. Mas não é assim noutros países.

 

Segue-se então a apresentação de um novo quadro, que apresenta os valores comparativos de 3 operadores estrangeiros: a AT&T dos Estados Unidos e de Inglaterra, a EE e a Vodafone.

 

Compra nos Operadores Estrangeiros

 

Rapidamente verificamos uma tendência. Nos tarifários e operadores em análise, partimos de equipamentos sem custo para o utilizador, até aos $200 e há uma clara aposta dos operadores em cobrar fortemente nos serviços, que pouco ou nada se distinguem do que é oferecido em Portugal. A oferta da Vodafone é um bom exemplo disso. Tal como em Portugal, estamos a avaliar períodos contratuais de 24 meses.

 

Também podemos verificar que os totais em Euros, se aproximam e muito dos totais de Portugal. Com uma clara diferença: O custo inicial do equipamento.

 

Em suma, em Portugal, quando juntamos o custo de equipamento, com o custo do serviço, não existe uma clara diferença de preços (operador vs Apple). De resto, até podemos sair prejudicados, quando compramos directamente à Apple. No entanto, é preciso não esquecer que estamos a "pagar" o desbloqueio do equipamento, quando fazemos a aquisição através do operador. Por outro lado, percebe-se que os operadores tentam manter o mais possível o valor dos tarifários. Mas esticam-se no custo inicial do equipamento, passando a ideia que os operadores tentam rentabilizar nos serviços e nos equipamentos que vendem.

 

No estrangeiro e nos principais mercados, a lógica muda... os equipamentos têm o menor valor possível, gratuito se possível e depois cobram um pouco mais pelos serviços, que são praticamente os mesmos que são disponibilizados em Portugal, o que me leva a questionar: "Então, mas o core business dos operadores não são os serviços?" Obviamente, que me faz todo o sentido, ver um operador fazer um esforço para pôr os melhores equipamentos nas mãos dos utilizadores e depois fazê-los pagar por isso (em serviços), durante 24 meses.

 

Nas conversas que tenho com colegas e amigos, um dos principais impedimentos para comprar equipamentos de topo, seja qualquer for o sistema operativo, é precisamente o custo inicial do equipamento. Assim que um equipamento custa mais de 200€, dificilmente será comprado pela esmagadora maioria das pessoas. Fica por responder, se essas mesmas pessoas estariam dispostas em ficar com um equipamento desses, de forma gratuita, mas teriam que pagar mensalmente um valor bem mais elevado pelo tarifário contratado.

 

Não vou negar que é uma tarefa complicada para os operadores, que apostam cada vez mais no cross-selling e nos pacotes integrados de serviços, o custo do serviço móvel esbate-se no preço total do serviço. Mas continuamos com o mesmo problema com o custo do equipamento e o MEO é um bom exemplo dessa incapacidade de oferecer preços competitivos para clientes com M5O ou M4O. Se o conseguem com os clientes empresa, porque razão não o conseguem fazer com os clientes particulares?

 

Com estes números, será que os operadores não têm margem (literalmente) para baixar o custo inicial de um smartphone de topo?

 

 

Projecto de Férias

28.09.14
Projecto de Férias

 

Já algum tempo que ponderava dar uma nova vida ao meu iMac de 24 polegadas de 2009. Estas férias e a chegada do OS X Yosemite foram o pretexto ideal para avançar com este projecto.


Com a descida constante de preços dos discos SSD, tornava-se cada vez mais apelativo, apostar na substituição do disco original (1TB) do iMac de 2009 por um disco SSD. Após uma pesquisa na web e com a ajuda do pessoal do Twitter, cheguei à conclusão que o Samsung EVO 840 de 250GB seria a melhor opção.

 

Sim, passei de 1TB para 250GB, mas o que perco em espaço (que posso recuperar com discos externos), compenso e muito em performance. Mas ao contrário dos portáteis, o processo de substituição do disco num iMac não é fácil.

 

iMac

 

Utilizei como referência o guia de substituição do disco rígido do iFixit, que indica que se trata de um guia com nível de dificuldade: Moderado. Não sei se será um pouco mais do que isso... alguns sensores que precisam de ser desligado e repostos. E depois de colocado o novo adaptador e o novo disco, apercebi que tudo ali é feito à medida e foi preciso colocar o disco SSD numa posição que é não compatível com o adaptador, por causa do comprimento dos cabos SATA.

 

iMac

 

Depois de tudo montado... chegou o momento de recolocar o vidro e necessitava de garantir que o LCD e o vidro ficariam limpos e imaculados, processo que se tornou quase tão complicado como a substituição do disco.

 

 

Após a substituição do disco, seguiu-se o momento de instalar da versão Beta do OS X Yosemite, para poder fazer uma instalação limpa. A performance impressionou, mas as aplicações de terceiros e limbo criado pelo iCloud Drive (que ainda não é reconhecido pelas actuais aplicações de terceiros), acabaram por criar um problema e acabei por regressar ao OS X Mavericks e voltarei a pensar na questão da instalação limpa, depois do lançamento do OS X Yosemite no próximo mês de Outubro, assim espero.

iPhone 6

27.09.14
iPhone 6

 

Uma semana após o lançamento, o novo iPhone 6 foi lançado em mais de 20 novos mercados, entre eles, Portugal. Foi o momento para poder ver ao vivo os novos iPhones.


Finalmente, tive oportunidade de ver ao vivo, os muito aguardados e polémicos iPhones 6 e 6 Plus. As primeiras impressões são evidentes: as dimensões e o peso, especialmente do iPhone 6 Plus. Ou seja, acabei por confirmar o que estava mais ou menos confirmado, isto é, vou acabar por escolhar o iPhone 6. Não, por causa da polémica, mas por causa das dimensões absolutamente gigantescas. Acredito que o Plus possa servir para quem não quiser um iPad ou faça a sua vida com ecrãs grandes como os desenhadores e ilustradores, que são fãs de equipamentos como o Samsung Galaxy Note.

 

Mas não é esse o meu caso. Eu sinto que o ecrã do 5 começa a pedir mais qualquer coisa, mas nada comparado com um ecrã de 5.5 polegadas. Parece-me que 4.7 polegadas aproxima-se mais do tamanho ideal para um smartphone.

 

Sendo eu, um utilizador actual de um iPhone 5, estou bastante entusiasmado com a possibilidade de utilizar o TouchID com o 1Password e com a nova câmara e todas as funções vídeo que o iPhone 5 não tem, especialmente o Slow motion a 240fps.

 

 

Quanto à questão do momento, não posso deixar de destacar a análise da Consumer Reports, que não foi nada meiga com a Apple em 2010, com a AntennaGate e agora vem mostrar algumas medições feitas com vários equipamentos. Digamos que o iPhone não é propriamente o equipamento mais resistente do mundo (com aquela espessura/dimensões e feito de alumínio, estavam à espera do quê?), mas não se fica atrás de equipamentos como o HTC One (M8). Se calhar porque não são equipamentos para dobrar, digo eu.

 

Results of Consumer Reports smart phone bend test

 

Pelo menos, esta análise é um pouco mais científica, quando comparada com os vídeos daquele rapaz que agora até faz vídeos de rua, como se fosse um mágico. Devem ser os dólares a cairem na conta, como se não houvesse amanhã e é preciso prolongar a polémica.

 

(confesso, que gostava de ver um comparativo que incluísse os novos Moto X e Note 4)

 

 

Voltando ao iPhone... pois bem, se conseguir resistir (vai ter que ser), lá para Novembro, devo encomendar o meu... iPhone 6, Space Gray, de 16GB.

Bananas e Histerismo

27.09.14
Bananas e Histerismo

 

O que têm em comum as bananas, tecnologia, clubite, redes sociais e histerismo em massa? É isso que eu vou tentar explicar com este post.


A última semana, foi marcada, não só pelo lançamento do iPhone, mas também pelo facto, do novo iPhone 6 Plus (especialmente este modelo) poder dobrar-se com alguma facilidade.

 

Será mesmo assim? Segundo a Internet..."SIM. É um drama! Como isso é possível?"

 

Nem um raro problema no lançamento do iOS 8.0.1 (que me pareceu bem mais grave), retirou os holofotes da web e dos media do caso que ficou já conhecido como "BendGate".

 

Em jeito de disclaimer e quem me acompanha, sabe que sou um admirador de produtos Apple, especialmente Macs e iPhones. Mas isso não significa que tenha que estar absolutamente contra tudo o que não tenha uma maçã. Fazê-lo, seria pouco inteligente da minha parte e o contrário também é válido.

 

Agora... o que raio têm em comum, bananas, tecnologia, clubite, redes sociais e histerismo em massa?

 

Bananas é muito simples... elas dobram e partem com extrema facilidade. Isso é senso comum e ninguém se queixa. Será que acontece o mesmo aos gadgets?

 

Segundo o The Washington Post, o iPhone realmente dobra com facilidade se... forem "ratos de ginásio" e "bodybuilders" ou aplicarem força com o objectivo de dobrar o objecto em causa. De resto, muitos dos vídeos publicados na web, são feitos com esse objectivo, especialmente em semanas de lançamento do iPhone, o que não acontece com outros lançamentos (à excepção dos blogs e canais do YouTube que se dedicam a essa matéria).

 

Cheguei a ver um vídeo em que o seu autor, fazia um teste de resistência à queda, de todos os modelos do iPhone lançados até hoje (10). Para além dos erros de continuidade (repetição que não coincide com o take a velocidade normal), dá para ver um martelo em cima da mesa e não tenho muitas dúvidas que terá sido usado. Atentem especialmente ao teste do iPhone 5S. Para quê este tipo de vídeos? Qual é o seu objectivo?

 

Parece-me óbvio que este tipo de equipamentos, especialmente em pisos mais rugosos, danificam com muito mais fácil. Parece-me evidente. Mas não por estes dias.

 

BendGate

 

Voltemos às "dobragens". Como reporta e bem, o Cult of Mac, há uma longa e antiga história de smartphones que se dobram e acabam por quebrar. Há quem ponha em causa a legimitidade do artigo (mesmo não lendo o artigo), por ser do Cult of Mac, mas na lista era possível ver o iPhone 5S, 5 e 4S. Mas também era possível ver o Samsung Galaxy S4, o Sony Xperia Z1, o Lumia 925, o Blackberry Q10, o HTC EVO ou o menos conhecido Oppo.

 

Mesmo eu, que acompanho estas coisas, desconhecia estes casos. Provavelmente, o mesmo acontecerá com muitos dos leitores deste post. Mas o iPhone 6? NÃO! Toda a gente faz a piada... fanboys, hatersboys, utilizadores comuns... lá estava tudo hoje (dia 26 de Setembro)... à volta dos expositores a apreciar o objecto do Demo.

 

Até o MEO, que tentou fazer um evento web com o lançamento do iPhone, praticamente só tinha comentários de haters. Mas houve um comentário que mereceu a minha atenção:

 

"Mas que invejosos!!!! Ao menos o iPhone dobra mas não parte ao meio como o meu galaxy s3. E a Samsung não autorizou a reparação em período de garantia. O argumento foi que eu não devia ter usado o tlm nos bolsos traseiros das calças e não me devia ter sentado num sítio rígido. Hilariante e triste."

 

A Apple, que é sempre acusada de sempre implacável e intransigente, afinal também tem forte concorrência neste campo.

 

Não sei se é só de mim, mas isto parece-me claramente um fenómeno semelhante à clubite. Em vez do Benfica, do Porto ou do Sporting, temos a Apple e a Samsung. O iOS e Android.

 

Evolução Tecnológica

 

Não sejamos cínicos e hipócritas. Já o escrevi há umas semanas atrás. Antes do iPhone, o smartphone não era o smartphone que temos hoje. Vários meses depois, surge o Android. Com o Android, a Samsung começa a mostrar a sua força e outros vieram atrás e acrescentaram features muito interessantes ao smartphone e a Apple copiou. Mas sempre foi assim. SEMPRE. Mas as pessoas têm memória curta.

 

O vídeo apresentado por Dave Wiskus demonstra exactamente o que referi no parágrafo anterior.

 

 

 

Para facilitar tudo isto, temos o megafone das redes sociais em que os utilizadores sentem que a sua voz é relevante e tem peso nos principais acontecimentos da nossa sociedade, como se fossem comentadores do tudo e do nada, como aqueles que agora marcam presença diária nas televisões nacionais. Só para ajudar, ainda há televisões que têm segmentos dedicados aos principais tweets do dia. Não me entendam mal. Sou fã desta forma de comunicação, mas como em tudo, há limites e irrita-me um bocadinho o efeito "rebanho". Chamem-me antiquado...mas nem 8, nem 80.

 

Temas menos relevantes tornam-se virais e outros temas mais relevantes passam despercebidos. Sim... toda a gente gozou com os Pastéis de Nata e ninguém teve consciência da ideia que era defendida. Hoje, há umas quantas startups que facturam e muito à conta disso.

 

Por causa do buzz, mais uma vez, tal como aconteceu com o caso AntennaGate com o iPhone 4, a Apple abriu um pouco a cortina de secretismo e mostrou o trabalho que é feito no controlo de qualidade e construção dos seus produtos, especialmente na produção do iPhone 6. Será que não chegou? Obviamente que não chegou... ainda hoje, me perguntaram se arriscaria comprar o iPhone 6 Plus e tal como em 2010, a minha resposta foi positiva. O meu único problema é mesmo a dimensão. É gigante. Mas adiante...

 

Eu acreditava que a Apple fizesse esse trabalho, até porque em 10 milhões de equipamentos vendidos no primeiro fim de semana, a Apple confirmou 9 devoluções (por utilização normal do iPhone). NOVE! Mesmo assim, não é essa história que ficará para o futuro. Ainda assim, devemos ter em atenção o que acontecerá nos próximos 6 meses, especialmente após a entrada em mercados gigantes, como é o caso do mercado chinês.

 

 

E já agora... anda por aí um bug sério... "ShellShock" é o seu nome e há quem considere que é o pior bug de sempre. Mas a web anda extremamente calma.

 

Este tipo de situações lembra-me aquelas pessoas que entram em absoluta paranóia com um registo de um serviço, com e-mail, password, data de nascimento e dados de facturação, mas não têm qualquer problema em partilhar os dados do cartão de crédito com os filhos para utilização na web.

 

Moral da história? Amigos, é só um smartphone! É só um gadget! Vendido por uma determinada marca, que comercializa um conjunto de produtos que se enquadram numa estratégia onde o ecossistema e os serviços que lhe estão associados se tornaram em argumentos de peso no momento da escolha. Isto é válido para as principais marcas.

Apple Pay vs PayPal

17.09.14
Apple Pay vs PayPal

 

Parece que o PayPal percebeu que a Apple encostou a empresa de pagamentos contra a parede, após o anúncio do lançamento do serviço Apple Pay, no próximo mês de Outubro.


Efectivamente, das novidades apresentadas na semana passada, Apple Pay pareceu-me ser a novidade mais interessante, porque será o serviço que mais impacto vai provocar no nosso dia-a-dia, porque a Apple poderá ter desbloqueado, de uma vez por todas, a questão dos pagamentos móveis e que poderá resultar na desmaterialização dos cartões de plástico, conseguindo manter o modelo de negócio actual e que perdura há muitos anos, entretanto a Apple como mais um interveniente, mostrando o caminho que outros poderão seguir. Poderá ser o caso do Google, com o Google Wallet e os smartphones Android.

 

Reparem como a empresa que não entra nestas contas, é precisamente, a PayPal, que não foi incluída como parceira do Apple Pay e ou do Google Wallet, porque o modelo de negócio está pensado exclusivamente para cartões de crédito ou débito.

 

Apple Pay

 

Mas as novidades não se ficam por aí. A solução encontrada pela Apple está próxima do perfeito, partindo do príncipio que não há soluções perfeitas, obviamente, uma vez que a Apple está a percorrer o caminho da desmaterialização dos cartões de plástico e da tokenização dos pagamentos, uma solução que não é propriamente nova, uma vez que o modelo utilizado pelo MBNet, não é assim tão diferente, uma vez, que a Apple utiliza dados gerados automaticamente, para realizar cada pagamento, da mesma forma que um utilizador do MBNet pode gerar um cartão virtual para cada pagamento que realiza. Só pode ser utilizador uma vez, porque o valor do cartão virtual é igual ao valor da compra e a informação do cartão original não é incluída na transacção.

 

 

Também já sabemos que o NFC dos novos iPhones 6 só servirá para o Apple Pay. Mas isso não é propriamente uma novidade. É a forma da Apple lançar funcionalidades e tal como no Touch ID, talvez só com o iOS 9, a Apple acabe por criar as APIs para o NFC e Apple Pay e eventualmente continuará a servir apenas para realizar pagamentos.

 

Pessoalmente, estou bastante entusiasmado com o facto de poder reforça a minha utilização do Touch ID, em particular com o 1Password, um serviço que pretendo utilizar ainda mais, para dispensar de uma vez por todas, a utilização de passwords. Estou curioso para saber o que fará a Apple com os outros iDevices e com os Macs, no que diz respeito ao Touch ID.

 

 

Quanto à campanha da PayPal... bom, eu diria que não passa de uma campanha que tem como objectivo aproveitar o buzz de apresentação e lançamento do iPhone 6 e o caso das fotos descarregadas do iCloud. Mas não podemos esquecer que a PayPal não é propriamente uma empresa perfeita e a sua única função são pagamentos. Como sabemos, a Apple está muito para além disso.

 

Por isso, trata-se apenas de uma campanha que fica ali na fronteira entre o fail e o pânico, por tudo aquilo que já enumerei anteriormente.

 

Veremos o que acontecerá nos próximos meses e o quão de depressa, estas novas plataformas chegarão aos restantes mercados, especialmente o mercado europeu.

Qual discussão?

11.09.14
Qual discussão?

 

Mais um ano, mais uma apresentação da Apple. Isso significa que entramos na temporada da clubite geek.


Na passada terça-feira, a Apple apresentou os novos iPhones 6 e 6 Plus, a nova plataforma de pagamentos Apple Pay e o tão esperado Apple Watch. Logo após o evento terminal, os trolls saíram debaixo das pedras e começou a circular logo uma imagem que tenta colocar o iPhone 6, 4 anos atrasado em comparação com o Nexus 4, lançado em 2012.

 

iPhone 6 vs Nexus 4

 

Eu diria que estamos perante uma Não-Discussão ou simplesmente uma discussão que não faz qualquer sentido. Será como discutir a compra do automóvel da marca X em vez da marca Y.

 

Para já, é preciso não esquecer a origem do Android e o que está na sua génese e a recuperação que foi feita durante 3/4 anos. E atenção, essa recuperação aconteceu e é mais do que merecia e o Android tornou-se numa plataforma muito interessante. Eu vou mais longe e diria que a existência da plataforma Android, poderá ter criado no Google, uma nova mentalidade, centrada no design, na usabilidade e user interface. Mas repito... é preciso não esquecer a sua origem. Para que não esteja a perceber... eu ajudo: Janeiro 2007 - iPhone original.

 

Outra coisa que também é preciso não esquecer: O Utilizador Real. O utilizador real, o utilizador comum não vai comprar NENHUM... repito... NENHUM dos equipamentos que são colocados nestas discussões iOS vs Android. O utilizador comum, compra o equipamento mais barato que encontrar, com o tarifário mais barato que encontrar e a existência de acesso à Internet não é sequer um requisito. Agora expliquem-me e fico genuinamente à espera disso, como é que o perfil que descrevi se enquadra com equipamentos como o iPhone, o Nexus 4 ou 5, os Samsung Galaxy S ou os LG/HTC topo de gama?

 

E atenção... é preciso não esquecer a existência da plataforma Windows Phone, com os Lumia que tão boa impressão têm causado e os preços praticados são próximos do limite que o utilizador comum está disposto a oferecer.

 

Também é preciso fazer um enquadramente com o ecossistema de cada plataforma. Isso é relevante para o utilizador? Terá peso? É um utilizador Mac e não dispensa o ecossistema oferecido pela empresa californiana? Ou até é utilizador Mac, mas dispensa o ecossistema e é fã da plataforma Android? Os perfis são infinitos.

 

O que conta são as necessidades do utilizador. É isso que importa. Uma das perguntas que me fazem com maior frequência é: "O que me recomendas?"

 

Muitos ficam impressionados, porque conhecendo as minhas preferências (sim, irei seguramente comprar o novo iPhone. Restará saber quando e qual?), eu acabo por recomendar tudo e mais alguma coisa, menos produtos Apple. E para ser sincero, para o utilizador comum, habitualmente dou duas sugestões... para os utilizadores que preferem Android, o Moto G da Motorola (desbloqueado) e para os que preferem Windows Phone, os Lumia de gama média (530, 620 ou 625).

 

Voltando ao comparativo iPhone 6 vs Nexus 4, um dos factores que me apontaram foi a diferença de preço. É verdade. Mas falamos de um equipamento que custará sempre mais do que 300€ e pelas conversas que tenho com amigos e colegas, a barreira psicológica para um equipamento caro, são os 200€. Um custo médio fica-se ali pelos 150€ e aceitam perfeitamente o valor até 100€ para um smartphone de gama baixa (sem ser low cost).

 

Evocando novamente o exemplo do Moto G, estamos a falar de um equipamento que ronda os 180€, desbloqueado e comprado em Portugal. Recordo que é um equipamento com um ecrã e com dimensões muito próximas do iPhone 6.

 

Também é preciso não esquecer que estes equipamentos não têm Touch ID, a câmara (para quem dá importância a esse factor) não é habitualmente grande coisa e tal como no iPhone, mesmo em ambiente Android, é preciso ir para equipamento de gama mais alta, para se aproximar da mesma qualidade.

 

Voltamos ao início do post... Há realmente motivo para discutir alguma coisa, quando a escolha se centra no utilizador e nas suas necessidades?

 

Termino o post, com um resumo do que me pareceu a apresentação da Apple da passada terça-feira.

 

Com o nível dos leaks que assistimos era difícil ser surpreendido pelos novos iPhones. De qualquer forma, não há dúvidas que comprarei o novo iPhone 6. Resta no entanto, confirmar quando o farei, uma vez que desta vez, vou evitar a compra através dos operadores, como vou tentar adiar o mais possível, para conseguir fugir aos primeiros stocks.

 

iPhone 6

 

A outra dúvida: 4.7 ou 5.5? Pessoalmente, acho que o iPhone 6 Plus é absolutamente gigante. Mas a qualidade do ecrã e a câmara deixam-me na dúvida. Antes de comprar, quero comprovar ao vivo, qual é o modelo que melhor se adapta. Eu arrisco dizer que é o iPhone 6. Até pela diferença de preço.

 

Outra coisa que estou entusiasmo em ter com o novo iPhone é o Touch ID. Ainda sou utilizador do iPhone 5 e sendo um utilizador do 1Password e considerando a apresentação do novo sistema de pagamentos da Apple - Apple Pay - não tenho dúvidas que será algo que vou utilizar como se não houvesse amanhã. Estou cansado de tanta password.

 

Finalmente o relógio, o Apple Watch. Tenho apenas uma palavra para descrever a apresentação: Meh.

 

Não fiquei muito impressionado com a experiência a FuelBand, que acabou por se estragar ao fim de 1 ano e pouco de utilização diária. A consequência foi voltar aos relógios analógios (e que relógios, senhores! Que relógios!). Sabendo que muito será feito no iPhone propriamente e que este anda sempre connosco e considerando que o Apple Watch depende de um iPhone, que sentido faz gastar mais do que 300€? Mais uma vez, depende do utilizador e das suas necessidades.

 

Pena tive que não houvesse qualquer anúncio sobre o novo OS X Yosemite. Digamos que tenho aqui pendente um projecto de férias para mudar o disco do iMac para SSD.

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