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iPhil

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O Melhor de 2014: iPhone 6

17.12.14
O Melhor de 2014: iPhone 6

A equipa dos Blogs do Sapo, lançou-me o desafio de apresentar o meu destaque Tech ou Objecto do Ano de 2014. Eu sei, a minha escolha é mais ou menos óbvia... o iPhone 6.

 

Vamos perceber o porquê da minha escolha em 3 grandes tópicos:



HYPE

O iPhone foi originalmente apresentado em Janeiro de 2007 e lançado em Junho do mesmo ano. Ou seja, há mais de 7 anos, o iPhone veio revolucionar o mercado dos telemóveis e dos smartphones. Actualmente, o smartphone é o centro tecnológico do nosso dia-a-dia e alterou por completo a oferta de smartphones.

 

Hoje, empresas como o Google, Samsung, HTC, ZTE, Huawei ou projectos independentes como o One Plus, são sucessos globais de vendas. Conseguiram, com recurso ao Android, alcançar o iPhone e o iOS. Em alguns casos, até superar. Mas nada bate o engagement e o hype criado pelo iPhone, num negócio que é o mais importante da Apple neste momento, superando o volume de negócio gerado pelo iPad e pelo o Mac.

 

Todos os anos, continua a acontecer a mesma coisa. Recorde vendas, filas q.b., stocks esgotados durante meses ou com entrega demorada ou "haters" que decidem procurar por uma qualquer falha no iPhone e por mínima que seja, o mundo inteiro revolta-se em torno daquela falha.

 

O iPhone 6 é um bom exemplo disso. Rapidamente alguém se apercebeu, com a alteração do design e do chassis do iPhone, que ele seria mais susceptível de dobrar num determinado ponto e com uma determinada força aplicada nesse ponto. Vídeos, posts, social media... o mais comum dos utilizadores sabia do problema: "Esse é o iPhone que dobra, não é?"

 

Digam-me... fanboys e haters, qual é o outro dispositivo no mercado que cria esta onda de interesse. Recordo que um dos equipamentos concorrentes do iPhone 6 Plus, o Samsung Galaxy Note 4, também apresentava uma falha no espaçamento entre o ecrã e a case, que permitia facilmente colocar folhas ou post-its nessa zona. Ao contrário do iPhone, esse problema passou quase despercebido.

 

Um dispositivo que cria este impacto, tem que pesar nas escolhas do ano, apesar de ser um dispositivo que já vai no seu 7º ano de vida.




INOVAÇÃO

O iPhone apresenta-se ainda como um produto inovador? Obviamente que não! Nem sequer é esse o método habitual da Apple.

 

Na realidade, o único iPhone verdadeiramente inovador foi o original, com a primeira iteração do iOS e o interface multi-touch, associado ao ecossistema Apple, inspirado naquilo que já era feito com o iPod.

 

Mas a combinação hardware/software e a forma como a Apple apresenta e desenvolve novas features, permite colocar os seus produtos no topo, em termos de usabilidade e experiência de utilização.

 

Um dos exemplos que posso dar, é a Câmara. Desde o iPhone 4S, que a câmara do iPhone apresenta um sensor de 8MP. Ao contrário do que se pensa, o mais importante não são os "Megapixeis", mas a abertura e a qualidade na composição das fotos no equipamento (até porque o número de Megapixeis, afecta o tamanho das fotos. É preciso considerar que a esmagadora maioria dos utilizadores têm equipamentos com menos de 16GB de espaço).

 

Por isso, a Apple tem apostado tudo na renovação e melhoria do sensor e da abertura da lente, mas sempre em torno dos 8MP. Para além disso, melhorou e muito as capacidades vídeo da mesma lente, especialmente nas funções secundárias da câmara e não apenas somente em torno da resolução. Com o iPhone 4, era possível filmar a 720p a 30fps (frames por segundo). A partir do iPhone 4S foi possível filmar a 1080p (FullHD) a 30fps. Com o iPhone 5S, a Apple virou-se para a GoPro e passou a permitir vídeos a 120fps, com vídeos em slow-motion, com um efeito que impressiona qualquer um. Com o iPhone 6 e 6 Plus, a Apple apostou na rapidez do auto-focus, na estabilização por software e hardware e no slow-motion a 240fps. Se impressionava a 120fps...a 240fps é qualquer coisa fora de série.

 

 

 

Outro exemplo que posso dar é o TouchID. Há muito tempo que existem computadores com reconhecimento através da impressão digital. Chegou mesmo a alguns equipamentos móveis (julgo que terá sido a Samsung, com um sensor na parte de trás do equipamento). Mas a tecnologia nunca "pegou". Nunca. A tecnologia biométrica chegou mesmo ao nosso Cartão do Cidadão. Mas serve exactamente para quê? Na eventualidade de usar o leitor do Cartão do Cidadão, utilizo o habitual Chip/PIN e nem sequer utilizo um dos dedos indicadores para validar o cartão.

 

 

 

 

Com a introdução do TouchID, a Apple volta a pegar numa tecnologia moribunda ou adormecida. Integra-a no ecossistema Apple e permite inicialmente, de forma quase perfeita, desbloquear o equipamento, em vez do PIN e permite adquirir apps na App Store, sem recorrer à sempre incómoda introdução da password do Apple ID, uma das 500 mil passwords que temos que memorizar. Com o iPhone 6 e com o iOS 8, o TouchID viu aumentadas as suas capacidades. Pode ser utilizado por outras apps e passou a servir para validar os pagamentos através do novo sistema Apple Pay (lojas físicas e apps).



APPLE PAY

Teria que dar um particular destaque ao Apple Pay, até porque é um assunto que me é caro. Tal como os sensores de impressões digitais, também os pagamentos móveis ou os sistemas alternativos aos cartões tardavam em pegar. Há ou havia uma enorme resistência nos diversos players no mercado, fossem os bancos, as entidades emissoras de cartões, as lojas de retalho (de pequena ou grande dimensão) ou até mesmo os utilizadores.

 

Com o Apple Pay, o cenário muda completamente e abre espaço para o Google Wallet acompanhar o mesmo sistema. Ao contrário do que se pensa, o Apple Pay não é exactamente um sistema proprietário. É verdade que só pode ser utilizado pelos utilizadores com AppleID e um equipamento Apple, mas é baseado num sistema standard de Tokenização criado pela EMVco (um consórcio com 6 membros: American Express, Discover, JCB, MasterCard, UnionPay e Visa) e todos os interessados pode utilizar este standard. Apple Pay e Google Wallet são os mais conhecidos, bem como todos os sistemas compatíveis com PayWave.

 

Ou seja, falamos de um sistema que até já se encontrava disponível em algumas lojas com terminais com PayWave ou com Contactless, como também é conhecido. Mas como referi anteriormente, o que aconteceu com as impressões digitais, este sistema não tem praticamente qualquer utilização e há mais de 2 anos que alguns sistemas em Portugal tentam solucionar a questão dos pagamentos móveis, sem qualquer sucesso. Tal como o Google Wallet, que ninguém utiliza desta forma, porque no fim, o processo "Cartão Débito/Crédito -> Chip/PIN", numa compra, ainda é o processo mais rápido.

 

Com o Apple Pay, o cenário é diferente. A Apple não só utiliza um standard, como conseguiu desbloquear a complexidade associada a uma compra e respectivo pagamento. Encostamos o iPhone, abre automaticamente o Passbook e validamos o pagamento. Simples. E de facto, os primeiros números demonstram que o serviço é um sucesso nos EUA, para já, o único mercado onde o Apple Pay está disponível.

 

 




Considerando estes factores, parece-me que não há dúvidas em nomear o iPhone como o produto do ano e com "pequenos passos", vai elevando a fasquia e a concorrência tem respondido à altura, colocando o smartphone no centro da nossa vida e tenho sérias dúvidas que os wearables consigam o mesmo sucesso, apesar do Apple Watch chegar em 2015 (tenho dúvidas que chegará em Portugal no próximo ano).