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iPhil

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O iPhone e os operadores - Versão 2014

02.10.14
O iPhone e os operadores - Versão 2014

 

Chegados a Outubro, está na altura de fazer as habituais contas e comparativos no que diz respeito aos preços de aquisição dos novos iPhones 6, para que possamos perceber, porque razão em Portugal são definidos os preços que conhecemos.

 

Para facilitar a explicação, vamos centrar os números no iPhone 6 de 16GB, com preço base definido pela Apple de 699.00€.

 

Em Portugal, o iPhone poderá ser aquirido através dos 3 operadores nacionais: MEO, NOS e Vodafone e poderá ser comprado desbloqueado através da Apple Store online portuguesa ou através das lojas Premium Reseller da Apple, como a Fnac, Worten, GMS, iStore, entre outras.

 

Como já vem sendo habitual, assim que os operadores anunciam o preço dos novos modelos do iPhone, a primeira interrogação que todos fazem é: "Então, mas só 10 euros de diferença entre o preço do iPhone bloqueado e o iPhone desbloqueado? Como é possível?"

 

A realidade é que os operadores em Portugal, em virtude da alteração da Lei que abrange o desbloqueio deste tipo de equipamentos, passaram a incorporar o custo do desbloqueio no PVP do equipamento desbloqueado. Ou seja, no caso do iPhone 6 de 16GB, a Apple apresenta, como já referi, um PVP de 699.00€ e os operadores referem que o mesmo valor é de 862.38€. Um incremento de aproximadamente 160€. Por coincidência, o valor de referência para o desbloqueio do mesmo equipamento.

 

Para quem tem planos pré-pagos, não tenho dúvidas em afirmar, que efectivamente não vale a pena comprar através dos operadores. O desbloqueio terá sempre um custo associado, uma vez que ele será cobrado a quem compra como pré-pago. Com uma diferença efectiva de 10/20€ na compra do equipamento, então não há como justificar a compra a através de um operador.

 

Mas mantém-se a questão... "Valerá a pena adquirir um iPhone 6 de 16GB através dos operadores? Eventualmente através de planos?"

 

Eu diria que em Portugal, efectivamente não vale a pena comprar através dos operadores, seja em que cenário for (especialmente se não considerarmos apenas os valores, mas também a liberdade obtida). Por isso, decidi comparar os valores de aquisição através dos três principais tarifários dos três operadores, para conseguir obter o valor ou o custo total ao fim de 24 meses, somando o custo do tarifário e o custo do equipamento. Na análise que é feita, é preciso considerar alguns vectores. A saber:

 

- Do ponto de vista do custo para o utilizador (equipamento e/ou tarifário)

 

- Do ponto de vista do operador e a rentabilidade obtida através das margens e serviços

 

Para ajudar nesta análise, vamos recorrer a um quadro, que resume os elementos apontados anteriormente...

 

 

 

Como podemos verificar, através da aquisição com planos pós-pagos, o valor mais baixo em que é possível aquirir o iPhone é de 339,89€ na Vodafone. Contudo, através do MEO é possível fazê-lo por 137,90€, mas será uma aquisição a prestações e o valor do serviço será acrescido de 23,00€, relativo ao custo do equipamento. Rapidamente, é possível concluir que a aquisição através do MEO, aproxima-se e muito dos valores, quando o equipamento é adquirido através da Apple... no entanto, é preciso relembrar que esse equipamento será desbloqueado, ao contrário do equipamento comprado no MEO. Também não nos podemos esquecer que a aquisição da através da Apple, não implica a assinatura de um contrato de fidelização de 24 meses, apesar do período em análise, ser sempre de 24 meses.

 

Uma outra conclusão que podemos tirar, está relacionada com o perfil e segmento dos utilizadores em Portugal. Tenho ideia, que a esmagadora maioria dos utilizadores que contratam tarifários pós-pago, ficam-se pelos tarifários de 25€ e 30€. Contudo esses utilizadores são penalizados pelos valores de aquisição do equipamento. Sendo que, estamos a falar de diferenças na ordem dos 100€ e 200€, respectivamente para o PVP desbloqueado. Tem sido o modelo de negócio que tem imperado em Portugal. Mas não é assim noutros países.

 

Segue-se então a apresentação de um novo quadro, que apresenta os valores comparativos de 3 operadores estrangeiros: a AT&T dos Estados Unidos e de Inglaterra, a EE e a Vodafone.

 

Compra nos Operadores Estrangeiros

 

Rapidamente verificamos uma tendência. Nos tarifários e operadores em análise, partimos de equipamentos sem custo para o utilizador, até aos $200 e há uma clara aposta dos operadores em cobrar fortemente nos serviços, que pouco ou nada se distinguem do que é oferecido em Portugal. A oferta da Vodafone é um bom exemplo disso. Tal como em Portugal, estamos a avaliar períodos contratuais de 24 meses.

 

Também podemos verificar que os totais em Euros, se aproximam e muito dos totais de Portugal. Com uma clara diferença: O custo inicial do equipamento.

 

Em suma, em Portugal, quando juntamos o custo de equipamento, com o custo do serviço, não existe uma clara diferença de preços (operador vs Apple). De resto, até podemos sair prejudicados, quando compramos directamente à Apple. No entanto, é preciso não esquecer que estamos a "pagar" o desbloqueio do equipamento, quando fazemos a aquisição através do operador. Por outro lado, percebe-se que os operadores tentam manter o mais possível o valor dos tarifários. Mas esticam-se no custo inicial do equipamento, passando a ideia que os operadores tentam rentabilizar nos serviços e nos equipamentos que vendem.

 

No estrangeiro e nos principais mercados, a lógica muda... os equipamentos têm o menor valor possível, gratuito se possível e depois cobram um pouco mais pelos serviços, que são praticamente os mesmos que são disponibilizados em Portugal, o que me leva a questionar: "Então, mas o core business dos operadores não são os serviços?" Obviamente, que me faz todo o sentido, ver um operador fazer um esforço para pôr os melhores equipamentos nas mãos dos utilizadores e depois fazê-los pagar por isso (em serviços), durante 24 meses.

 

Nas conversas que tenho com colegas e amigos, um dos principais impedimentos para comprar equipamentos de topo, seja qualquer for o sistema operativo, é precisamente o custo inicial do equipamento. Assim que um equipamento custa mais de 200€, dificilmente será comprado pela esmagadora maioria das pessoas. Fica por responder, se essas mesmas pessoas estariam dispostas em ficar com um equipamento desses, de forma gratuita, mas teriam que pagar mensalmente um valor bem mais elevado pelo tarifário contratado.

 

Não vou negar que é uma tarefa complicada para os operadores, que apostam cada vez mais no cross-selling e nos pacotes integrados de serviços, o custo do serviço móvel esbate-se no preço total do serviço. Mas continuamos com o mesmo problema com o custo do equipamento e o MEO é um bom exemplo dessa incapacidade de oferecer preços competitivos para clientes com M5O ou M4O. Se o conseguem com os clientes empresa, porque razão não o conseguem fazer com os clientes particulares?

 

Com estes números, será que os operadores não têm margem (literalmente) para baixar o custo inicial de um smartphone de topo?