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iPhil

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Miró ou má gestão generalizada?

05.02.14
Miró ou má gestão generalizada?

 

Muito se tem discutido a questão dos quadros de Miró, adquiridos pelo BPN e que se tornaram activos do Estado. Agora discute-se a sua venda em leilão.

 

Não vou aqui discutir os detalhes deste tema. Os comentadores e a opinião pública, conseguem fazê-lo de forma muito mais rigorosa do que eu. Contudo, não posso deixar de abordar o tema.

 

Nos últimos anos, temos vários exemplos de má gestão, por parte do Estado português. Assim, de repente, consigo lembrar-me das parcerias público-privadas, a saúde, os processos de privatização, as ex-SCUTs, processo do novo aeroporto, o TGV, os portos marítimos, os estaleiros (especialmente de Viana do Castelo), etc.

 

Existe em todos estes casos, um denominador comum: Má gestão e uma profunda e total ausência de visão estratégica.

 

Este caso dos quadros Miró é mais uma prova disso. Não quero aqui discutir, se é legítimo ou não a venda dos quadros. O que me parece evidente é que a sua venda neste momento (até mesmo antes da polémica) e numa espécie de bundle, com a inclusão de todas as obras, só poderá ser um mau negócio para o Estado. Isto é válido para qualquer tipo de negócio.

 

Também por isso, concordo em absoluto com a opinião do Daniel Oliveira, na sua crónica no Expresso. Estas obras de arte, podem ser rentabilizadas, através de exposições e através da sua venda. No primeiro caso, seria uma rentabilização da longo prazo e a segunda mais imediata. Contudo, é possível seguir as duas vias. Expôr em Portugal, rentabilizar não só as obras, mas indirectamente através do Turismo e mais tarde, após a sua valorização, vender as obras e se possível, de forma gradual e não numa espécie de pacote..."Compre 80 e pague 40".

 

Ninguém fica a ganhar...especialmente o Estado e os cidadãos portugueses.

 

Como é evidente, estou-me nas tintas para a relevância destas obras, até porque não se trata de um autor nacional. Mas é preciso bom senso, para o Estado não sair, novamente, prejudicado.