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iPhil

iPhil

Tocado pelo Fio de Ariadne

07.01.13
O Fio de Ariadne

 

Confesso que este início de 2013 tem sido particularmente desinteressante...não sei explicar muito bem, ou se calhar até sei e foi preciso esperar pelo dia 4, para ler um texto com o qual me identifico. Descobri-o no blog "O Fio de Ariadne" (que recomendo, naturalmente) e é um retrato muito próximo (com as devidas diferenças, claro e numa perspectiva masculina) do que me vai na alma.

 

E com a devida autorização, aqui está a versão completa desse post:

 

Ficar a conta gotas

 

Pergunto-me vezes sem conta se realmente é só isto a que tenho direito.
Histórias de amor a conta gotas.
Pessoas que aparecem, que eu amo e que depois se vão embora.
Aconteceu vezes demais. antes iam só para casa, agora vão para outros países.
e amanhã é o sábado. o dia que eu mais adorava na semana. e agora é o dia que mais odeio. porque é ao sábado que percebo como estou só. 
Invariavelmente a rotina é a mesma: pequeno almoço na pastelaria ao pé de casa, depois um pequeno passeio até à praia, talvez para escrever ou tirar umas fotos, caso o tempo o permita. Almoço mais tarde e o resto do dia é passado talvez a não fazer nada. O que é certo, é que este cenário parece idílico. mas não é. experimentem fazer isto durante 7 anos seguidos sem nunca ter tido ninguém com quem partilhar nada.pelo menos alguém que fique. mesmo.
Apercebi-me deste padrão agora. porque se tornou demasiado óbvio. as histórias são tão parecidas e os episódios tão similares que qualquer pessoa se interrogaria se não estaria a viver um filme de cinema.
...Ele aparece sempre galante e discreto. eu resisto sempre. nunca acredito. tenho sempre medo. o tempo que ele leva a insistir para que lhe dê atenção, momento esse em que me faço de desentendida, é a medida necessária para eu me apaixonar.
Chego a pensar que me apaixono porque a pessoa me deu atenção e me ouviu. chego a pensar que é só isso mesmo. é a falta de atenção que me ilude e me leva a entregar.
depois ele vai-se afastando, lentamente, cheio de palavras doces...até um dia que se vai embora de vôo marcado.
Já passei por isto vezes demais.
esperei já tempo demais. houve a altura em que pensei: porquê esperar por uma pessoa, se existem tantas no mundo?...depressa descobri que não há assim tantas pessoas no mundo para mim.
Deus disse que iria fazer muitos e bons maridos e iria espalhá-los pelos quatro cantos da terra...e depois fez a terra redonda....
já me cansei de histórias de amor. e quando alguém se cansa de histórias de amor, é a mesma coisa que estar morto. para todos os efeitos então, estou morta. pelo menos assim o quero crer.
Porque afinal o príncipe não vai chegar e dizer  "fica comigo", o príncipe chega e diz "gosto imenso de ti, mas daqui a uma semana vou-me embora, por isso aproveita enquanto podes." Isto é lá alguma coisa que uma mulher queira ouvir?...alguém quer ouvir da boca da pessoa por quem está apaixonada, que a pessoa de quem gosta não faz tenção nenhuma de continuar a gostar dela nem de estar ao lado dela? alguém merece ouvir isto? Eu já não tenho 15 anos e  já tive a minha conta de desastres. Já sou grande e era suposto as coisas agora correrem bem. pois se aos outros correm, porque continuam os desastres a ocorrer na minha vida?...
Bom, como se não fosse o suficiente, ou é isto, ou é lidar com todos os outros animais disfarçados de homens, e homens disfarçados de seres humanos. 
Uma vez, duas vezes, três vezes...pontapé e murro no estômago e canelada nas pernas...tudo assim de repente, tudo de seguida...ainda não me levantei de uma tareia e já estou a levar outra...para no fim de tudo, ficar com feridas para lamber e lágrimas para chorar. só e apenas. 
e, a cada vez, a sensação de que ninguém nunca vai querer ficar.
são despedidas a mais, aeroportos e aviões demais em espaços de tempo muito curtos... tenho muita experiência em coisas dolorosas e sofridas, tenho poucos bons momentos, não tenho perícia na felicidade, sou demasiado proficiente no drama...e isso resulta em vezes demais em que percebi na pele que nunca sou motivo suficiente para alguém mudar os seus planos. que nunca sou suficientemente alguma coisa para alguém me querer a mim e só a mim. vezes por demais que senti o coração ser apertado e triste a dizer que uma vez mais não valeu a pena abrir-se, porque uma vez mais, a porta foi aberta, mas ninguém afinal decidiu entrar. 
É excessivo. faz-me lembrar os drogados que passam a vida em reabilitações e reincidências. sou um caso perdido e sinto-me gozada e sem vontade de dar nada a ninguém. tenho vontade de fechar as portas de vez.

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