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iPhil

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Cidadania, Condomínios e o País

29.06.12
Condomínios

 

 

Acho que ainda não o tinha feito, por isso, aqui fica um post dedicado às Reuniões de Condomínios (sim, acabei de sair de uma).

 

 

Sim, são longas, chatas e penosas e fica a sensação que se morre um pouco, a cada reunião que passa.

 

 

Mas são necessárias e são uma forma primária (no sentido de proximidade) de cidadania e de democracia. De resto, ultimamente tenho ouvido alguns comentadores e analistas a comparar a gestão do país com a gestão de um condomínio. E na realidade, não estão muito longe da verdade. Infelizmente, tal como o país, também nas Assembleias Gerais, os condóminos têm uma baixa participação (cumpre o mínimo para a sua realização). Infelizmente, também falham os compromissos financeiros que têm em relação ao condomínio, deixando o mesmo, numa situação financeira complicada.

 

 

Como sabemos, nos últimos anos, há uma tendência para aumentar a abstenção, mais grave ainda é o completo desinteresse que existe, no acompanhamento nas questões importantes do país. É importante, mas os portugueses acham que são tudo questões dos senhores do parlamento, aqueles que ganham muito e que nunca lá põem os pés.

 

 

Eventualmente, muitos dos portugueses que não votam, que criticam, são os mesmos que não estão nem aí para a gestão do espaço onde se encontra a sua habitação. Esquecem-se que partilham um bem comum, que há gastos e despesas partilhados. Mas após o anúncio de uma decisão importante, como poderá ser a criação de uma quota extraordinária, provavelmente são os primeiros a criticar, quando tiveram oportunidade de o fazer, em sede própria: a Assembleia Geral.

 

 

Foi o caso da reunião de hoje. Havia revisão do regulamento. Foi necessário rever o orçamento e renegociar dívidas e aprovar processos jurídicos. Decisões importantes e que vão afectar o futuro do condomínio, activação da garantia do mesmo, bem como a nível financeiro.

 

 

No entanto, as pessoas não apareceram. Não estão nem aí. A revisão do regulamento implicava a presença de 2/3 e aprovação por unanimidade. A revisão do orçamento, renegociação de dívidas e activação da garantia vão afectar o valor da quota anual e vai obrigar à criação de uma quota extraordinária.

 

 

É verdade, que os principais devedores são promotores dos imóveis que estão por vender. Mas existe uma percentagem elevada de moradores e proprietários individuais que também não cumprem o seu dever. O resultado é uma situação financeira bastante frágil.

 

 

Em suma, quando no nosso país, o cidadão comum não está nem aí para o que acontece no seu próprio condomínio, onde tem responsabilidade e as mesmas foram assumidas após a assinatura de uma escritura, então nem quero imaginar o que pensam em relação ao país.

 

 

Espero que este post, faça reflectir, todos aqueles que terão que assistir ou marcar presença numa reunião de condomínio. É o vosso espaço. É o prédio onde vivem. Há espaço comuns que são partilhados. Os custos são assumidos solidariamente. Pensem que têm oportunidade de demonstrar a vossa vontade e mudar para melhor o espaço onde vivem. Se não o fizerem, ninguém o fará por vocês e não se limitem apontar o dedo, quando nem sequer conseguiram ceder um serão para o benefício de um bem, que também é vosso, tal como o país.