Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



17.09.14

Apple Pay vs PayPal

Apple Pay vs PayPal

 

Parece que o PayPal percebeu que a Apple encostou a empresa de pagamentos contra a parede, após o anúncio do lançamento do serviço Apple Pay, no próximo mês de Outubro.


Efectivamente, das novidades apresentadas na semana passada, Apple Pay pareceu-me ser a novidade mais interessante, porque será o serviço que mais impacto vai provocar no nosso dia-a-dia, porque a Apple poderá ter desbloqueado, de uma vez por todas, a questão dos pagamentos móveis e que poderá resultar na desmaterialização dos cartões de plástico, conseguindo manter o modelo de negócio actual e que perdura há muitos anos, entretanto a Apple como mais um interveniente, mostrando o caminho que outros poderão seguir. Poderá ser o caso do Google, com o Google Wallet e os smartphones Android.

 

Reparem como a empresa que não entra nestas contas, é precisamente, a PayPal, que não foi incluída como parceira do Apple Pay e ou do Google Wallet, porque o modelo de negócio está pensado exclusivamente para cartões de crédito ou débito.

 

Apple Pay

 

Mas as novidades não se ficam por aí. A solução encontrada pela Apple está próxima do perfeito, partindo do príncipio que não há soluções perfeitas, obviamente, uma vez que a Apple está a percorrer o caminho da desmaterialização dos cartões de plástico e da tokenização dos pagamentos, uma solução que não é propriamente nova, uma vez que o modelo utilizado pelo MBNet, não é assim tão diferente, uma vez, que a Apple utiliza dados gerados automaticamente, para realizar cada pagamento, da mesma forma que um utilizador do MBNet pode gerar um cartão virtual para cada pagamento que realiza. Só pode ser utilizador uma vez, porque o valor do cartão virtual é igual ao valor da compra e a informação do cartão original não é incluída na transacção.

 

 

Também já sabemos que o NFC dos novos iPhones 6 só servirá para o Apple Pay. Mas isso não é propriamente uma novidade. É a forma da Apple lançar funcionalidades e tal como no Touch ID, talvez só com o iOS 9, a Apple acabe por criar as APIs para o NFC e Apple Pay e eventualmente continuará a servir apenas para realizar pagamentos.

 

Pessoalmente, estou bastante entusiasmado com o facto de poder reforça a minha utilização do Touch ID, em particular com o 1Password, um serviço que pretendo utilizar ainda mais, para dispensar de uma vez por todas, a utilização de passwords. Estou curioso para saber o que fará a Apple com os outros iDevices e com os Macs, no que diz respeito ao Touch ID.

 

 

Quanto à campanha da PayPal... bom, eu diria que não passa de uma campanha que tem como objectivo aproveitar o buzz de apresentação e lançamento do iPhone 6 e o caso das fotos descarregadas do iCloud. Mas não podemos esquecer que a PayPal não é propriamente uma empresa perfeita e a sua única função são pagamentos. Como sabemos, a Apple está muito para além disso.

 

Por isso, trata-se apenas de uma campanha que fica ali na fronteira entre o fail e o pânico, por tudo aquilo que já enumerei anteriormente.

 

Veremos o que acontecerá nos próximos meses e o quão de depressa, estas novas plataformas chegarão aos restantes mercados, especialmente o mercado europeu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

16.09.14

Depois dos Prós e Contras #PL118 / #PL246

Depois dos Prós e Contras #PL118 / #PL246

 

Obviamente, depois de concluído o Prós e Contras de hoje, é impossível não publicar um post de reacção ao programa, com as principais notas que ficam do debate sobre a revisão da Lei da Cópia Privada.


Como seria de esperar, foi um debate intenso e com acusações injustas. Mas vamos directamente às notas principais, que destaco do debate:

 

- Os "autores" e os representantes das entidades dos autores continuam sem compreender o problema fundamental.

 

- Fica mesmo a ideia que os "autores" não concordam com a existência da Lei da Cópia Privada. Como existe um normativo europeu, então que se cobre de forma transversal e sem distinção.

 

- Para ter a aprovação popular, os "autores" apontam baterias para o retalho e para os representantes da indústria tecnológica, neste caso, na pessoa de José Valverde, representante da AGEFE e que esteve presente no debate. Os "autores" alegam que deviam ser essas entidades a assumir o custo das novas taxas.

 

- Os "autores" não estão dispostos a cobrar na aquisição, mas sim na utilização do "conteúdo". Bem conveniente esta separação... porque é possível contabilizar as vezes que compramos uma música...mas ninguém consegue contabilizar quantas cópias ou leituras fazemos (até nisto os autores são limitados, porque é possível contabilizar esse número, nos serviços de streaming). Resolve-se a questão cobrando nos equipamentos. O João David Nunes foi claro numa resposta: "O autor não é remunerado na compra." Se calhar respondeu ao problema.

 

- O debate, mais uma vez, centrou-se na música, quando temos outros meios envolvidos (livros, filmes, etc). É verdade que estão representados pelas entidades presentes no debate, mas individualmente só vi músicos e um ou outro escritor. Curiosidade ou não... o autor mais novo que esteve presente, foi o Miguel Ângelo e isso explica muito do que se passa neste mundo da intermediação autoral. Onde estão os autores da geração Kindle e Spotify?

 

- Também ficou clara, a ideia que a representação individual e livre incomoda muita gente, fosse com a presença no programa ou através das redes sociais e blogs. 

 

- Foi interessante ver a "esquerda caviar" (adoro esta expressão) a defender com unhas e dentes, um novo imposto. A mesma "esquerda caviar" também se incomoda muito com a representação individual e livre. Parece que Abril para essa gente, só serviu de inspiração criativa. Hoje, não existem.

 

- Faltou bom senso aos "Prós". Especialmente a David Ferreira. Qual Octávio Machado, levantou a questão do Cartel. Eu diria que o Cartel está na intermediação que é feita pelas SPAs desta vida. Infelizmente não vi essa questão ser debatida. Ou seja, não estaria na altura de rever a posição e as percentagens que são recebidas e geridas por estas entidades? Se calhar está na altura dessas entidades abdicarem da sua parte ou não? Claro que os autores ficariam com esses montantes.

 

- Se calhar, o projecto de revisão da Lei dos Direitos de Autor terá esse objectivo e por isso, a SPA e a Secretária de Estado da Cultura já não estão em sintonia, como no caso da Lei da Cópia Privada.

 

 

Em jeito de conclusão, eu diria que as perspectivas não são boas e resta à Assembleia da República tomar a decisão correcta e para isso, ainda temos uma petição a decorrer e que já ultrapassou as 1.200 assinaturas. Se este debate provou é que é preciso travar este projecto de Lei. Mas como foi sugerido pelo Rui Lourenço durante o debate, também é preciso repensar a questão, para que os autores recebam o que lhes é devido. Ninguém tem dúvidas sobre isso.

 

Por isso, é ler, assinar (se concordarem) e divulgar. Divulgar o mais possível.

 

Não esquecer que é necessário confirmar a assinatura, através do mail que é enviado pela plataforma de petições.

 

 

Uma última nota de agradecimento à Maria João Nogueira, ao Rui Lourenço, ao Rui Seabra e ao José Valverde, pela representação que fizeram de todos aqueles que não são autores e serão afectados pela alteração desta lei. Será que isto esclarece a questão a representatividade? Ou o 25 de Abril não chegou?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

15.09.14

Petição contra a Lei da Cópia Privada #PL118 / #PL246

Petição contra a Lei da Cópia Privada #PL118 / #PL246

 

Em noite de Prós e Contras dedicado à revisão da Lei da Cópia Privada, é dia para destacar a criação de uma nova petição.


A votação deste novo projecto de lei ocorrerá no próximo dia 17 de Setembro, na Assembleia da República e hoje, dia 15 de Setembro, o programa Prós e Contras será dedicado ao tema do momento.

 

O tempo é escasso, mas nunca é tarde para agir. Por isso e mais uma vez vos peço para assinar a Petição para Impedir a aprovação da proposta de lei n° 246/XII, da Cópia Privada.

 

É ler, assinar (se concordarem) e divulgar. Divulgar o mais possível, porque o tempo, escasseia.

 

Não esquecer que é necessário confirmar a assinatura, através do mail que é enviado pela plataforma de petições.

 

Em Março de 2012, o Projecto de Lei original foi cancelado pelo PS e na altura, a petição que foi criada na altura, conseguiu mais de 8.500 assinaturas e foi fundamental na pressão exercida sobre os partidos com representação na Assembleia da República.

Autoria e outros dados (tags, etc)

13.09.14

A Matemática do Copyright #PL118 #PL246

A Matemática do Copyright #PL118 #PL246

 

Na tranquilidade do mês de Agosto, o Governo português tomou a iniciativa de aprovar em Conselho de Ministros, a revisão da Lei da Cópia Privada. Esta nova revisão seria uma evolução do projecto de lei nº. 118, sendo agora conhecido como projecto de lei nº. 246.


A votação deste novo projecto de lei ocorrerá no próximo dia 17 de Setembro, na Assembleia da República, sendo que, o próximo Prós e Contras será dedicado a este tema, que tanta polémica tem gerado, especialmente na web e nas redes sociais.

 

O que me fez escrever finalmente sobre este tema (porque até aqui, outros bloggers o têm feito de forma brilhante, como é o caso da Jonas), foi o mais recente comunicado da AGEFE - Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico, Electrónico, que resume e bem, o sentimento geral de quem está contra este revisão da Lei da Cópia Privada e cuja transcrição eu aqui deixo:

 

 

ALGUMAS COISAS QUE TALVEZ NÃO SAIBA SOBRE A LEI DA CÓPIA PRIVADA

 

A AGEFE - Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico, Electrónico, vem informar os decisores políticos e a opinião pública portuguesa, sobre as consequências que terá uma eventual aprovação da alteração à Lei da Cópia Privada, proposta pelo Governo, por iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura, e que a Assembleia da República vai votar na próxima quarta-feira, dia 17 de Setembro.

 

- A aprovação desta lei vai sobrecarregar a economia e os contribuintes com um imposto encapotado, a pretexto da compensação por um alegado prejuízo aos detentores de direitos, que até à data ninguém foi capaz de demonstrar.

 

- Um consumidor que compre um telemóvel, e que não tenha ou nunca venha a ter, cópias de músicas ou de outros conteúdos protegidos por direito de autor no seu aparelho, terá de pagar até mais 18,45€ (taxa máxima IVA a 23%) pelo mesmo equipamento. Da mesma forma, quem comprar música em formato electrónico para o seu telemóvel ou subscreva um serviço de streaming, irá pagar direitos de autor em duplicado, ou mesmo em triplicado se utilizar adicionalmente um cartão de memória, que também será taxado.

 

- Qualquer contrato de televisão por subscrição que inclua uma set-top box passa a implicar o pagamento de uma taxa, a título de direitos de autor, apesar de estes direitos já terem sido contemplados  no serviço contratado. Mais uma vez, os consumidores vão ser duplamente taxados.

 

- Também as empresas e o próprio Estado vão ver os seus custos aumentados nas aquisições de produtos tecnológicos, tais como computadores, tablets, telemóveis ou impressores, havendo múltipla taxação para o mesmo fim, sem que haja a mínima evidência de que vá ser reproduzida qualquer obra protegida.

 

- Tal como aponta o jurista António Vitorino no Relatório que apresentou à Comissão Europeia em 2013, a pedido desta, as cópias feitas pelos consumidores para uso privado no contexto dos serviços online licenciados pelos detentores dos direitos não causam qualquer prejuízo aos autores, pelo que não justificam qualquer remuneração adicional sob a forma de taxas aplicadas aos equipamentos. O Senhor Secretário de Estado da Cultura comprometeu-se a apresentar uma proposta de alteração legislativa à luz das recomendações feitas neste documento, o que não aconteceu, bem pelo contrário.

 

É ainda de lamentar a falta de oportunidade desta Lei. De facto,

 

- É incompreensível que o Senhor Secretário de Estado da Cultura tenha ignorado totalmente as conclusões do Relatório de António Vitorino, bem como o compromisso do recém-eleito Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, de modernizar nos seus primeiros seis meses de mandato, o quadro legislativo europeu sobre esta matéria, pelo que o momento escolhido para alterar a Lei em Portugal não podia ser mais desadequado.

 

- Carece de sentido que Portugal venha a adoptar uma Lei que replica a legislação que foi revogada em Espanha há quase dois anos por ter sido considerada desadequada face à realidade actual.

 

- Aquando a recente aprovação pelo Parlamento do Reino Unido, da reforma da Lei da Propriedade Intelectual, que introduziu o direito à cópia privada sem estabelecer qualquer taxa, a responsável governamental pela medida, Lucy Neville-Rolfe, declarou: "O governo não acredita que os consumidores britânicos tolerassem taxas pela cópia privada. São ineficientes, burocráticas e injustas, bem como penalizadoras dos cidadãos que já pagam pelos conteúdos."

 

- A alteração legislativa agora proposta não só não resolve um problema, como vai criar outros, a começar pelos efeitos extremamente negativos na economia. Vai aumentar o custo do acesso a produtos tecnológicos e travar o desenvolvimento da economia digital em Portugal, sem qualquer garantia de que o dinheiro resultante das taxas realmente chegue àqueles a quem alegadamente se destinaria e não se perde nas várias entidades encarregues de fazer a gestão e distribuição destas verbas.

 

Perante todos estes factos, a AGEFE apela às Senhoras e aos Senhores Deputados da Assembleia da República para que não aprovem a proposta de alteração da Lei da Cópia Privada, que ultrapassa em muito o âmbito dos políticas públicas para a área da Cultura, com evidente destruição de valor económico.

 

A adopção desta nova Lei da Cópia Privada, que é desadequada e injusta, seria mais um contributo para a perda de competividade das empresas portuguesas e para o incremento das compras ao exterior sem qualquer valor acrescentado nacional, bem como para a redução de receitas, directas e indirectas, do próprio Estado, colocando em risco empregos em Portugal.

 

 

A Direcção da AGEFE

 

Lisboa, 13 de Setembro de 2014

 

 

É impossível não me rever neste posição da AGEFE. Mas esta revisão da Lei da Cópia Privada tem mais problemas e questões que merecem ser discutidas e revistas.

 

Apesar da Lei da Cópia Privada nada ter a ver com a pirataria, os seus defensores insistem em misturar os temas. E porquê? Porque cheira a pirataria em toda a proposta, em virtudade da incompetência de quem tinha a obrigação de tomar medidas sobre esse tema. Qual é a solução mais simples? A mais óbvia. Agarrar numa lei existente, sobretaxá-la e com a chamada "Matemática do Copyright", garantir mais alguns milhões para as entidades que alegadamente representam os autores e artistas, quando o problema passa pelo facto, destas entidades não conseguirem garantir com eficácia, o seu papel, uma vez que os autores e artistas são os primeiros a queixar-se sobre os valores e montantes que não recebem ou que têm em atraso.

 

Já em 2012, eu revelava aqui no blog, os números reais de um pagamento a um pequeno autor pelas vendas do seu livro. Para memória futura, deixo novamente esses cálculos.

 

Estamos a falar de um livro que tem o valor unitário de 14,19€ (preço s/IVA) e no ano de 2011 foram vendidas 82 unidades (curiosidade: o livro já não é novo) e gerou em vendas, 716,28€. Considerando os escalões da taxa de direitos de autor, o valor será sujeito a uma taxação de 5,00% sobre o valor de total de vendas. Neste caso, o valor apurado é de 35,84€. Sobre o valor apurado incide uma percentagem do autor sobre os direitos apurados de 12,50%. Ou seja, no total, o autor receberá apenas 4,48€.

 

 

Para que não haja dúvidas, aqui fica a declaração, com a eliminação dos dados da obra e do autor em causa, por motivos óbvios (para quem quiser ver numa dimensão legível, bastará clicar na imagem).

 

Declaração de Direitos de Autor

 

 

Em suma, de um volume de vendas de 716,28€, o autor recebeu apenas 4,48€. Em todo este processo, vi ou senti vontade por parte das entidades que representam os autores, em rever estas percentagens. É fácil fazer as contas... se as taxas cobradas ao consumidor aumentam e as percentagens atribuídas aos autores se mantém, é escusado dizer que são as entidades e pessoas que vão facturar e muito com esta revisão da Lei.
A SPA poderá fazer as FAQs que quiser (mesmo copiadas), que nunca conseguirá explicar e justificar tudo que foi referido neste post ou no comunicado da AGEFE.
E para terminar... e porque o nome deste post não é inocente, não posso deixar de publicar o vídeo de Rob Reid, quando ele expôs a "Matemática do Copyright" numa TED Talk e que têm tudo a ver com as contas que são apresentadas pelas entidades que alegamente representam a indústria e os artistas.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

11.09.14

Qual discussão?

Qual discussão?

 

Mais um ano, mais uma apresentação da Apple. Isso significa que entramos na temporada da clubite geek.


Na passada terça-feira, a Apple apresentou os novos iPhones 6 e 6 Plus, a nova plataforma de pagamentos Apple Pay e o tão esperado Apple Watch. Logo após o evento terminal, os trolls saíram debaixo das pedras e começou a circular logo uma imagem que tenta colocar o iPhone 6, 4 anos atrasado em comparação com o Nexus 4, lançado em 2012.

 

iPhone 6 vs Nexus 4

 

Eu diria que estamos perante uma Não-Discussão ou simplesmente uma discussão que não faz qualquer sentido. Será como discutir a compra do automóvel da marca X em vez da marca Y.

 

Para já, é preciso não esquecer a origem do Android e o que está na sua génese e a recuperação que foi feita durante 3/4 anos. E atenção, essa recuperação aconteceu e é mais do que merecia e o Android tornou-se numa plataforma muito interessante. Eu vou mais longe e diria que a existência da plataforma Android, poderá ter criado no Google, uma nova mentalidade, centrada no design, na usabilidade e user interface. Mas repito... é preciso não esquecer a sua origem. Para que não esteja a perceber... eu ajudo: Janeiro 2007 - iPhone original.

 

Outra coisa que também é preciso não esquecer: O Utilizador Real. O utilizador real, o utilizador comum não vai comprar NENHUM... repito... NENHUM dos equipamentos que são colocados nestas discussões iOS vs Android. O utilizador comum, compra o equipamento mais barato que encontrar, com o tarifário mais barato que encontrar e a existência de acesso à Internet não é sequer um requisito. Agora expliquem-me e fico genuinamente à espera disso, como é que o perfil que descrevi se enquadra com equipamentos como o iPhone, o Nexus 4 ou 5, os Samsung Galaxy S ou os LG/HTC topo de gama?

 

E atenção... é preciso não esquecer a existência da plataforma Windows Phone, com os Lumia que tão boa impressão têm causado e os preços praticados são próximos do limite que o utilizador comum está disposto a oferecer.

 

Também é preciso fazer um enquadramente com o ecossistema de cada plataforma. Isso é relevante para o utilizador? Terá peso? É um utilizador Mac e não dispensa o ecossistema oferecido pela empresa californiana? Ou até é utilizador Mac, mas dispensa o ecossistema e é fã da plataforma Android? Os perfis são infinitos.

 

O que conta são as necessidades do utilizador. É isso que importa. Uma das perguntas que me fazem com maior frequência é: "O que me recomendas?"

 

Muitos ficam impressionados, porque conhecendo as minhas preferências (sim, irei seguramente comprar o novo iPhone. Restará saber quando e qual?), eu acabo por recomendar tudo e mais alguma coisa, menos produtos Apple. E para ser sincero, para o utilizador comum, habitualmente dou duas sugestões... para os utilizadores que preferem Android, o Moto G da Motorola (desbloqueado) e para os que preferem Windows Phone, os Lumia de gama média (530, 620 ou 625).

 

Voltando ao comparativo iPhone 6 vs Nexus 4, um dos factores que me apontaram foi a diferença de preço. É verdade. Mas falamos de um equipamento que custará sempre mais do que 300€ e pelas conversas que tenho com amigos e colegas, a barreira psicológica para um equipamento caro, são os 200€. Um custo médio fica-se ali pelos 150€ e aceitam perfeitamente o valor até 100€ para um smartphone de gama baixa (sem ser low cost).

 

Evocando novamente o exemplo do Moto G, estamos a falar de um equipamento que ronda os 180€, desbloqueado e comprado em Portugal. Recordo que é um equipamento com um ecrã e com dimensões muito próximas do iPhone 6.

 

Também é preciso não esquecer que estes equipamentos não têm Touch ID, a câmara (para quem dá importância a esse factor) não é habitualmente grande coisa e tal como no iPhone, mesmo em ambiente Android, é preciso ir para equipamento de gama mais alta, para se aproximar da mesma qualidade.

 

Voltamos ao início do post... Há realmente motivo para discutir alguma coisa, quando a escolha se centra no utilizador e nas suas necessidades?

 

Termino o post, com um resumo do que me pareceu a apresentação da Apple da passada terça-feira.

 

Com o nível dos leaks que assistimos era difícil ser surpreendido pelos novos iPhones. De qualquer forma, não há dúvidas que comprarei o novo iPhone 6. Resta no entanto, confirmar quando o farei, uma vez que desta vez, vou evitar a compra através dos operadores, como vou tentar adiar o mais possível, para conseguir fugir aos primeiros stocks.

 

iPhone 6

 

A outra dúvida: 4.7 ou 5.5? Pessoalmente, acho que o iPhone 6 Plus é absolutamente gigante. Mas a qualidade do ecrã e a câmara deixam-me na dúvida. Antes de comprar, quero comprovar ao vivo, qual é o modelo que melhor se adapta. Eu arrisco dizer que é o iPhone 6. Até pela diferença de preço.

 

Outra coisa que estou entusiasmo em ter com o novo iPhone é o Touch ID. Ainda sou utilizador do iPhone 5 e sendo um utilizador do 1Password e considerando a apresentação do novo sistema de pagamentos da Apple - Apple Pay - não tenho dúvidas que será algo que vou utilizar como se não houvesse amanhã. Estou cansado de tanta password.

 

Finalmente o relógio, o Apple Watch. Tenho apenas uma palavra para descrever a apresentação: Meh.

 

Não fiquei muito impressionado com a experiência a FuelBand, que acabou por se estragar ao fim de 1 ano e pouco de utilização diária. A consequência foi voltar aos relógios analógios (e que relógios, senhores! Que relógios!). Sabendo que muito será feito no iPhone propriamente e que este anda sempre connosco e considerando que o Apple Watch depende de um iPhone, que sentido faz gastar mais do que 300€? Mais uma vez, depende do utilizador e das suas necessidades.

 

Pena tive que não houvesse qualquer anúncio sobre o novo OS X Yosemite. Digamos que tenho aqui pendente um projecto de férias para mudar o disco do iMac para SSD.

Autoria e outros dados (tags, etc)

10.09.14

Burning Man

Burning Man

 

Nas últimas semanas, nunca como este ano, ouvi falar de um tal "Burning Man", um evento que estaria a ocorrer algures nos EUA. Mas porque raio nunca tinha ouvido falar deste evento?


De facto, nunca tinha ouvido falar deste evento. Mas este ano, eventualmente pela forte adesão da comunidade tech, todos os dias ouvia alguém fazer alguma referência ao "Burning Man". Pelo menos, assim acontecia nos podcasts que habitualmente acompanho.

 

 

Para quem ainda não conhece, "Burning Man" é um evento anual que decorre durante uma semana, no Black Rock Desert no norte do estado norte-americano do Nevada. O evento começa na última 2ª feira de Agosto e termina na primeira 2ª feira de Setembro, coincidindo com o feriado americano "Labor Day".

 

O ponto alto ocorre com o ritual de queimar uma estátua gigante de madeira, que ocorre no final do dia de sábado.

 

 

O evento/festival é marcado pelas instalações de arte e pela presença das mais diversas comunidades. Uma dessas comunidade é a comunidade tech, claro e a fotográfica, que é de alguma forma liderada pelo Trey Ratcliff, um fantástico fotógrafo que tenho acompanhado nos últimos anos, um norte-americano que decidiu ir viver para a Nova Zelândia e a partir de lá, realiza workshops, viagens e faz questão de marcar presença no "Burning Man" e realizar um photowalk no recinto do evento, o que permite que ele consiga captar algumas das mais fantásticas fotos que podemos apreciar.

 

Burning Man

 

O cabeçalho do blog e as imagens que ilustram este post, fazem parte desse portfolio da autoria do Trey Ratcliff. Mas o melhor é mesmo descobrir o seu trabalho no SmugMug.

Autoria e outros dados (tags, etc)

09.09.14

Sapo Blogs 2014

Sapo Blogs 2014

 

O Sapo vai renovar a plataforma de Blogs. O objetivo é fazer com que o SAPO Blogs continue a ser a plataforma mais fácil de usar para quem quer partilhar as suas ideias e opiniões num blog.


No fundo, a plataforma será a mesma, mas teremos em breve novidades ao nível da área de gestão, que foi repensada de raiz.

 

Apesar do desenvolvimento que foi realizado no último ano, o Sapo pretende receber o input de alguns dos utilizadores da plataforma de blogs, podendo realizar alguns testes de usabilidade ao vivo. Se estão em Lisboa, podem enviar um e-mail para sapoblogs@sapo.pt com o endereço do vosso blog e a vossa disponibilidade para nos fazerem uma visita de 30 minutos (de manhã ou à tarde).

 

Pessoalmente, gostaria de ver a plataforma de Blogs do Sapo seguir o caminho do Medium. Uma plataforma que aposte nas mais recentes novidades web, através de templates responsive, simples e que dedique uma especial atenção aos elementos gráficos de alta resolução, como a renderização de fonts e imagens (com um upload ultra facilitado de imagens e respectiva inserção nos posts).

 

No entanto, tudo isso só fará sentido se a experiência de criar e partilhar um post for completamente revista (quer no browser, quer numa app dedicada). Isto porque, umas das impressões com que fiquei na utilização que fiz do Medium foi precisamente a vontade em escrever e gerar conteúdo relevante e com um look and feel próximo do que é criado pelos principais blogs e sites.

 

Actualmente, todo o processo de criar de um post, que cumpra os requisitos de um conteúdo gerado em 2014, nada tem a ver com o paradigma do que existia há uns anos atrás, quando o Sapo passou de Movable Type para LiveJournal.

 

Sabendo do potencial que existe nas equipas do Sapo, é com expectativa que espero pelas novidades que estão para ser apresentadas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

31.08.14

O Dia do Zé

O Dia do Zé

 

Este último fim de semana de Agosto de 2014 ficou marcado pela realização do “Ultra-Trail du Mont Blanc” em Chamonix, uma prova que acompanhei com especial atenção.


O Ultra Trail du Mont Blanc é uma prova com cerca de 166km, com desnível positivo de 9600m, com postos de abastecimento espalhados pelo percurso, onde os atletas têm oportunidade para mudar de equipamento, alimentar e fazer alguma recuperação física. O percurso atinge várias vezes os 2500m de altitude, num percurso que passa por três países (Suiça, França e Itália).


José Guimarães | Carlos Sá


A prova contou com a participação do já conhecido Carlos Sá, que ficou em 8º lugar e do Nuno Mendes da Silva, que ficou em 12º. Mas a comitiva portuguesa era composta ainda pelo José Guimarães.

 

E é a história do Zé que eu pretendo destacar.

 

Quis o destino que o Zé encontrasse na corrida e no exercício uma forma de se encontrar.

 

Após alguns anos a viver em pleno sedentarismo, uma partida do destino lançou o Zé para o mundo do desemprego e para uma situação com demasiado tempo em mãos, sem qualquer tipo de orientação.

 

O Zé não baixou os braços. Decidiu mudar de estilo de vida. Entre outras práticas saudáveis adoptou o exercício físico regular como parte do seu dia-a-dia e, apesar da corrida ser, na altura, um desporto desconhecido para o Zé, ele deu o benefício da dúvida e experimentou. Assim começou uma paixão.

 

Com os treinos descomprometidos, surgem os primeiros objectivos ou melhor, o primeiro grande objectivo:

 

Ser capaz de correr uma maratona ainda em 2011!


Maratona de Munique 2014

 

E assim aconteceu… em Outubro de 2011, o Zé completou a Maratona de Munique. Estava atingido o primeiro grande objectivo.

 

Como o Zé achava que esta experiência de vida, merecia ser partilhada, criou o “De Sedentário a Maratonista” (que depressa cresceu para o Facebook e Twitter). Felizmente, foi um projecto que vi nascer de perto e é com orgulho que vejo o caminho que o projecto percorreu até hoje… materializado no maior objectivo que o Zé estabeleceu há 2 anos (se não estou em erro): ser capaz de correr e completar o Ultra-Trail du Mont Blanc.

 

José Guimarães antes da partida para o UTMB 2014



No dia 31 de Agosto de 2014, com o dorsal nº 2528, o Zé completou o seu objectivo em 41h:43m:13s na posição nº 858, conseguindo a proeza de entrar no Top 900, mas o mais importante foi mesmo o facto do Zé ter conseguido cumprir o seu sonho, o seu objectivo, terminando a prova.

 

 

UTMB 2014

 


Eu sabia que ele perseguia este sonho e desde 6ª feira que me agarrei ao Live Trail, para acompanhar o dorsal nº2528 do Zé.

 

Assim que me apercebi que a prova se realizava este fim de semana, comecei a estar um pouco mais atento à realização do UTMB. Por isso, com algum entusiasmo, comecei a seguir pelo Live Trail, a prova do Zé, logo na partida e ao longo da prova, através do Live Trail, Facebook e do Twitter.

 

São imensas as histórias que nos inspiram, mas poder ter uma histórias destas, de forma tão próxima (apesar das nossas vidas se terem afastado um pouco), não posso deixar de ficar emocionado e inspirado pela história do Zé e de que forma vou poder dizer a outras pessoas:

 

“Estão a ver? Este é o Zé. Esta é a sua história.”

 


José Guimarães após ter terminado o UTMB 2014 | Foto: Luis Marôco

 


A história do Zé é muito mais do que isto…há um percurso, um caminho, feito de altos e baixos, com mais ou menos dificuldades. E a vida é como o Mont Blanc…com força, inspiração, sacríficio, empenho, cumprimos o nosso objectivo.

 

 

 

Post publicado em simultâneo no Medium 

Autoria e outros dados (tags, etc)

09.06.14

Old New Apple

Old New Apple

 

Passou praticamente uma semana, após a keynote de abertura da WWDC, realizada habitualmente no Moscone Center em São Francisco e que mostrou uma Apple em grande forma e pronta para levar a tecnologia a um novo nível.

 

Há muito tempo que não via uma keynote tão interessante por parte da Apple. Eventualmente, terá sido a melhor keynote desde o desaparecimento de Steve Jobs, uma apresentação centrada em software, especialmente em desktop com o OS X Yosemte, móvel através do iOS 8 e as novas ferramentas de desenvolvimento, onde se destaca a nova linguagem de programção - Swift.

 

Muitos dirão que a Apple, durante 2 horas, não apresentou nada que justificasse tanto hype. É verdade. Efectivamente, não houve nada que se possa considerar disruptivo ou bombástico, como foi o iPhone em Janeiro 2007. O segredo na apresentação da semana passada, parece-me, está na forma como a Apple conseguiu montar e completar todo um puzzle, puzzle esse que muitos dos fanboys, já apelidam de "Apple's Love Letter", que esta espécie de "nova Apple" finalmente conseguiu mostrar pela primeira vez, após a morte de Steve Jobs, o caminho que pretende seguir e esse caminho será feito para e com os developers que tanto têm contribuído para o sucesso de plataformas como o iOS e o OS X, através das respectivas App Stores.

 

"Apple's Love Letter" parece-me algo exagerado. Mas consigo compreeder o sentimento que a apresentação da passada segunda-feira terá despertado, especialmente naqueles que acompanham a marca da maçã há mais anos.

 

Uma coisa é certa, as últimas keynotes, têm confirmado que a Apple encontrou um novo talento para as apresentações da Apple. Chama-se Craig Federighi é Senior VP Software Engineering e ele tem sido a figura de que se fala. Não só pela simpática figura, mas pelo carisma que apresenta em palco, bem diferente das primeiras aparições, mais discretas. Muitos comentários já o apontam como uma figura importante e decisiva no futuro da Apple ao nível de Steve Jobs. As comparações são sempre perigosas e parecem-me exageradas, mas parece-me mais ou menos evidente que Craig Federighi está a tornar-se numa figura central, não só nas keynotes, mas também na própria empresa.

 

Como referi, a Apple não apresentou nada de disruptivo. Mas juntou um puzzle que transportará a empresa de Cupertino e os seus developers para a próxima década, ou pelo menos, os próximos 5 anos, criando um campo de desenvolvimento que junta o iOS e o OS X. O vídeo que se segue, tentar resumir em 10 minutos, a Keynote, que poderá ser vista por completo, no site da Apple ou através do YouTube.

 

 

Alguns artigos na web fazem referência a uma nova Apple. Mais jovem, mais simpática e que finalmente encontrou o caminho certo. Concordam? Se calhar não vou tão longe. Direi apenas que a Apple poderá ter encontrado o caminho certo para os próximos anos...curiosa e assertiva foi a opinião do sempre muito crítico, Joshua Topolsky, editor do The Verge.

 

 

Uma coisa é certa...estou muito curioso com o que a Apple nos terá para apresentar no final do Verão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

08.06.14

Net Neutrality

Net Neutrality

 

Este é um tema recorrente no blog e que me interessou desde o primeiro segundo, mas parece ser um assunto que tem passado despercebido pelos media nacionais.

 

Desde que a discussão começou há uns anos, especialmente nos Estados Unidos, que tenho tentado, na medida do possível, trazer para a esfera nacional o tema da manutenção da neutralidade na Internet, ou seja, forçar que todos os fornecedores de Internet, permitam o acesso igual para todos os utilizadores e todos os tipos de conteúdos, sem prejuízo para ninguém.

 

Recentemente, o feud entre o Netflix e a Comcast, resultou num acordo entre as duas empresas, o que implicará o pagamento de um fee por parte do Netflix à Comcast, com o compromisso que a Comcast não corte a velocidade de acesso aos conteúdos disponibilizados pelo Netflix (que tarda chegar a Portugal).

 

Mas serve este post, também para destacar o fantástico comentário realizado pelo comediante John Oliver, no seu programa "Last Week Tonight" em que explica de forma brilhante, em que consiste o conceito "Net Neutrality" e quais são as verdadeiras implicações, caso a mesma venha a terminar, como tudo indica.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)






Creative Commons License CC | 2008-2013 iPhil